FIRE (do inglês Financial Independence, Retire Early, ou seja, independência financeira e reforma antecipada) é a ideia de acumular um património que pague as tuas despesas só com os rendimentos. Descobre o património de que precisas para isso (o teu número FIRE, ou objetivo) e quantos anos faltam, ao ritmo a que poupas hoje. Escolhe a variante que melhor descreve o teu plano. O cálculo é feito no teu navegador e nada do que escreves sai dele. A exceção é o relatório detalhado por email, mais abaixo, e só se o pedires: aí enviamos o teu email e os números do cálculo (e o teu nome, se pedires também as novidades), e guardamo-los até nos pedires para os apagar.
Número FIRE
Os valores já preenchidos são só um exemplo: troca-os pelos teus e o resultado atualiza-se.
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O cálculo não desconta impostos (por exemplo, mais-valias) nem comissões, e não conta a pensão pública. A regra dos 4% vem do trabalho de Bengen (1994), consolidado pelo Trinity Study (1998), com dados de mercado dos Estados Unidos desde 1926: assume uma carteira repartida entre ações e obrigações (no artigo de 1994, metade ações e metade dívida do Estado americano de prazo intermédio) e um mínimo de 30 anos de duração da carteira — se te reformares mais cedo, o período é mais longo e convém usar uma taxa mais baixa. A «parte do orçamento que poupas» é a poupança anual a dividir pela soma da poupança anual com a despesa anual, ou seja, assume que a despesa que escreveste também é a que tens hoje; por isso só aparece na variante Tradicional. É uma estimativa para orientar, não é aconselhamento financeiro.
As 5 variantes explicadas
Tradicional, Lean e Fat usam a mesma fórmula — dividir a despesa anual pela taxa de levantamento — e diferem só na despesa que escreves: Tradicional é o cálculo base, com a despesa que planeias ter na reforma; Lean é para uma vida simples, com despesa mais baixa; Fat é para uma vida confortável, com despesa mais alta. O simulador não altera a despesa sozinho quando mudas de variante.
Coast FIRE calcula se o património que já tens, sem mais poupança nenhuma, chega ao objetivo só com os juros compostos (os juros também rendem juros) até à idade de reforma que escolheres.
Barista FIRE (o nome evoca quem completa o rendimento com um trabalho a meio tempo, por exemplo num café) reduz o objetivo pelo rendimento parcial que esperas continuar a ter numa reforma parcial, permitindo atingi-lo mais cedo. O cálculo assume que esse rendimento dura enquanto viveres do património: se contas deixar esse trabalho mais tarde, a partir daí o património tem de cobrir a despesa toda e, nesse momento, precisa de valer o objetivo da reforma completa, ou menos, se nessa altura a pensão já pagar parte da despesa.
O crescimento do património é calculado mês a mês, tratando a taxa anual como taxa efetiva: o crescimento mensal usado é (1+taxa)^(1/12)−1, de modo que 7% ao ano rende exatamente 7% ao fim de 12 meses. A poupança de cada mês entra no fim desse mês, por isso só começa a render no mês seguinte.
Como ler o resultado, com os valores de partida
Os campos abrem com um caso concreto, para veres o cálculo a funcionar: 24.000 € de despesa anual (2.000 € por mês), taxa de levantamento de 4%, 30.000 € já investidos, 600 € por mês de poupança e 4% de retorno real, igual todos os anos (no mercado não é assim, por isso lê os prazos como ordens de grandeza). O número FIRE é 24.000 ÷ 0,04 = 600.000 € e, a esse ritmo, o simulador chega lá em 33 anos e 3 meses: 269.400 € saídos do teu bolso (os 30.000 € iniciais mais 399 entregas de 600 €) e cerca de 333.100 € de crescimento do investimento: no 399.º mês o património passa o objetivo e fica em cerca de 602.500 €, porque o simulador conta meses inteiros. Poupar mais 100 € por mês encurta o prazo em 30 meses; um retorno real um ponto percentual mais alto (5% em vez de 4%) encurta-o em 45 meses, e um ponto mais baixo (3%) alonga-o em 59 meses. E se trocares os 4% de levantamento por 3,5%, o objetivo sobe para 685.714 € e o prazo passa a 35 anos e 10 meses — mais 31 meses a acumular, só por mudares o pressuposto.
O truque dos 100 €
Cortar uma despesa permanente vale mais do que poupar o mesmo valor vindo de um rendimento extra que acaba quando te reformas, porque conta duas vezes. No exemplo acima, poupar mais 100 € por mês encurta o prazo em 30 meses. Cortar 100 € por mês de despesa permanente e investir esse dinheiro faz duas coisas ao mesmo tempo: aumenta a poupança e baixa o objetivo de 600.000 € para 570.000 € (menos 1.200 € de despesa por ano, a dividir por 4%). O prazo encurta 41 meses — mais 11 meses de avanço do que se te limitasses a poupar os mesmos 100 €. Para o veres, muda a despesa anual para 22.800 € e a poupança mensal para 700 €. O truque só vale se o corte durar também na reforma: se voltares a gastar esses 100 € quando parares de trabalhar, o objetivo não desce e o ganho volta aos 30 meses. Se, pelo contrário, o rendimento extra continuar na reforma, faz o mesmo que o corte, porque também baixa o objetivo: é o que o Barista FIRE calcula (com 100 € por mês de rendimento parcial e 700 € de poupança, dá os mesmos 570.000 € e 29 anos e 10 meses).
Nas outras variantes, com os mesmos valores: no Coast FIRE, aos 30 anos e com a reforma aos 65, precisarias de ter hoje cerca de 152.049 € investidos para chegares aos 600.000 € sem poupar mais nada (é o valor que, a crescer 4% ao ano durante 35 anos, lá chega); com 30.000 €, faltam 122.049 €. Se o retorno real for de 3% em vez de 4%, o valor de hoje sobe para cerca de 213.230 €. No Barista FIRE, 500 € por mês de rendimento parcial baixam a despesa que o património tem de cobrir para 18.000 € por ano e o objetivo para 450.000 €, a que chegas em 27 anos e 9 meses: 5 anos e 6 meses mais cedo do que na reforma completa.
Antes de tratares este número como objetivo
- Escreveste a despesa anual que vais mesmo ter, e não a versão otimista dela? É o campo que manda em todos os outros resultados.
- Correste o cálculo com duas taxas de levantamento — 4% e depois 3,25% a 3,5% — se o teu horizonte for de 40 anos ou mais?
- O retorno que escreveste é real, já sem inflação? Com 6% esperados e 2% de inflação, o valor a usar aqui é cerca de 4%.
- Contaste com o imposto sobre as mais-valias, que este cálculo ignora e que te obriga a vender mais do que gastas?
- Sabes quanto vais receber de pensão da Segurança Social? Não entra neste cálculo e, a partir da idade em que a começas a receber, reduz o que o teu património tem de cobrir.
- Tens uma reserva à parte, fora da bolsa, para não seres forçado a vender em queda logo nos primeiros anos sem salário?
Os pressupostos por trás da regra dos 4%, e o que muda numa reforma antecipada em Portugal — carreira contributiva, impostos e acesso ao SNS —, estão no guia FIRE explicado sem fantasia.
Fontes
Consultadas em setembro de 2026. As ligações ao Código do IRS apontam para a versão consolidada em vigor; confirma-a antes de decidires.
- William P. Bengen, «Determining Withdrawal Rates Using Historical Data», Journal of Financial Planning, outubro de 1994 — 4% no primeiro ano, atualizado pela inflação, com um mínimo de 30 anos de duração da carteira; carteira de referência de metade ações e metade dívida do Estado americano de prazo intermédio (reimpressão da Financial Planning Association)
- Philip L. Cooley, Carl M. Hubbard e Daniel T. Walz, «Retirement Savings: Choosing a Withdrawal Rate That Is Sustainable» (Trinity Study), AAII Journal, fevereiro de 1998 — prazos de 15, 20, 25 e 30 anos, dados de 1926 a 1995 (AAII)
- Karsten Jeske, «The Ultimate Guide to Safe Withdrawal Rates – Part 1: Introduction», Early Retirement Now, dezembro de 2016 — taxas de sucesso por prazo (30 a 60 anos) e por peso das ações, com dados dos Estados Unidos desde 1871 e, a partir de setembro de 2016, retornos médios assumidos pelo autor (earlyretirementnow.com); o intervalo de 3,25% a 3,5% está no índice da série (earlyretirementnow.com)
- Código do IRS, art. 43.º — exclusão de 10%, 20% e 30% das mais-valias consoante o período de detenção (n.º 5, na redação da Lei n.º 31/2024) e venda dos títulos adquiridos há mais tempo em primeiro lugar (n.º 8, alínea d)), separadamente em cada instituição onde estão depositados (n.º 9, na redação da Lei n.º 31/2024) (Portal das Finanças)
- Código do IRS, art. 72.º — taxa autónoma de 28% sobre o saldo positivo entre mais-valias e menos-valias (n.º 1, alínea c)) (Portal das Finanças)
Perguntas frequentes
FIRE (do inglês Financial Independence, Retire Early: independência financeira e reforma antecipada) é a ideia de acumular um património que pague as tuas despesas só com os rendimentos. O número FIRE é o património de que precisas para viveres dos rendimentos desse capital durante muitos anos, sem depender de um salário. Calcula-se dividindo a despesa anual pela taxa de levantamento (a percentagem do património que retiras por ano) — por exemplo, 24.000 €/ano a 4% dá um número FIRE de 600.000 €. O cálculo não desconta impostos nem comissões.
As três usam a mesma fórmula; o que muda é a despesa anual que escreves. Lean FIRE assume uma vida simples e uma despesa anual baixa. Fat FIRE assume uma vida confortável, com mais despesa. Tradicional é o cálculo base, sem juízo sobre o teu estilo de vida: usas a despesa que planeias ter na reforma. Se escolheres Lean ou Fat, escreve tu a despesa que terias nesse estilo de vida; o simulador não a altera sozinho.
É o ponto em que já tens capital suficiente investido para, sem poupares mais nada, deixar esse dinheiro crescer sozinho até à idade de reforma e ainda assim atingir o teu número FIRE, só com o efeito dos juros compostos (os juros também rendem juros).
É uma reforma parcial: continuas a ter algum rendimento (trabalho a tempo parcial, trabalho independente, etc.) que reduz a despesa anual que o teu património precisa de cobrir sozinho, permitindo atingir esse número mais cedo do que uma reforma completa. O nome evoca quem completa o rendimento com um trabalho a meio tempo, por exemplo num café. O cálculo assume que esse rendimento dura enquanto viveres do património: se contas deixar esse trabalho mais tarde, a partir daí o património tem de cobrir a despesa toda e, nesse momento, precisa de valer o objetivo da reforma completa, ou menos, se nessa altura a pensão já pagar parte da despesa.
Nasceu do trabalho de William Bengen (1994) e foi consolidada pelo Trinity Study (1998), de Philip Cooley, Carl Hubbard e Daniel Walz, professores de finanças na Trinity University, no Texas. Ambos usaram dados do mercado dos Estados Unidos desde 1926: Bengen exigia à carteira um mínimo de 30 anos de duração, e o Trinity Study mediu taxas de sucesso em prazos de 15, 20, 25 e 30 anos. Na prática, retiras 4% do património no primeiro ano e, nos anos seguintes, o mesmo valor ajustado à inflação. O próprio Bengen aconselhava não passar dos 4% nos primeiros anos da reforma, sobretudo a quem se reformasse cedo (aos 60 anos ou antes). Para prazos mais longos, as simulações de Karsten Jeske (Early Retirement Now), com dados dos Estados Unidos desde 1871 e, a partir de setembro de 2016, retornos médios assumidos pelo autor, mostram que, com a mesma taxa de 4% e metade em ações e metade em obrigações, o dinheiro chegou ao fim do prazo em 95% dos períodos de 30 anos e em só 65% dos de 60 anos (a 60 anos, com 3,5% seriam 89% e com 3,25%, 96%); é dessa série de estudos que vem o intervalo mais prudente de 3,25% a 3,5%.
Não faz o ajuste sozinho. O retorno esperado que introduzes deve ser o retorno real, ou seja, já depois de retirar a inflação, porque as despesas estão em euros de hoje. Se não tiveres a certeza, testa um intervalo em vez de um número só: o campo abre em 4% real, e 3% real é a versão mais prudente do mesmo cenário.
Não. O simulador trabalha em euros de hoje e antes de imposto. Se vives da venda gradual de uma carteira, o que é tributado é o saldo anual entre as mais-valias e as menos-valias que realizas, em regra a 28%; nos valores mobiliários admitidos à negociação e nas partes de fundos abertos, como os ETF que são fundos UCITS, fica excluída da tributação uma parte do rendimento consoante o tempo de detenção: 10% se detiveste os ativos mais de 2 anos e menos de 5, 20% dos 5 aos 8 e 30% a partir dos 8 (artigo 43.º, n.º 5, do Código do IRS, em setembro de 2026). Na prática, tens de vender mais do que gastas: no exemplo dos 24.000 € por ano, assumindo que metade do valor vendido é lucro (numa carteira antiga a fatia de lucro costuma ser maior, e o imposto também), terias de vender cerca de 27.907 € por ano, e o número sobe de 600.000 € para cerca de 698.000 €. Se as unidades que vendes tiverem sido compradas há 8 anos ou mais, a exclusão de 30% baixa a taxa efetiva para 19,6% e, com a mesma hipótese de metade de lucro, o número fica em cerca de 665.000 € (com 70% de lucro, cerca de 695.000 €). Vender unidades com 8 anos ou mais é o caso habitual numa carteira acumulada ao longo de muitos anos, porque, entre unidades do mesmo ETF, a lei considera vendidas primeiro as compradas há mais tempo; se tiveres o mesmo ETF em mais do que uma corretora ou banco, a regra aplica-se em cada um separadamente. O guia FIRE explicado sem fantasia tem as exceções a essa taxa de 28% e a conta completa.