simulador

Simulador de Recibos Verdes 2026

Retenção de IRS, Segurança Social e o limite de isenção de IVA para trabalhadores independentes

Descobre quanto sobra de um recibo verde (hoje chamado fatura-recibo) depois da retenção na fonte de IRS (o IRS que quem te paga desconta e entrega ao Estado por tua conta, quando o cliente é uma entidade que tem ou deve ter contabilidade organizada) e, se é a tua primeira atividade como independente, a partir do 13.º mês de atividade, da contribuição para a Segurança Social. Preenche os campos abaixo com os teus valores reais — o cálculo é feito inteiramente no teu browser, nada é enviado ou guardado.

Rendimento líquido i

Estimativa do que sobra de um recibo verde, depois da retenção de IRS e da Segurança Social. Os campos vêm preenchidos com um exemplo: substitui pelos teus valores.

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Estimativa simplificada para 2026. Não substitui o cálculo de um contabilista certificado nem contempla regimes especiais, IRS Jovem, deduções específicas da categoria B do IRS (a dos rendimentos de trabalho independente) ou o regime de contabilidade organizada (para quem tem contabilidade completa). Também não cobre a retenção de 16,5% sobre rendimentos de propriedade intelectual ou industrial recebidos pelo titular originário, as regras próprias de quem acumula com trabalho por conta de outrem (isenção de contribuições e cálculo da base de incidência), as isenções de contribuições por pensão de invalidez ou velhice ou por um ano inteiro a pagar só o mínimo, nem advogados e solicitadores, que não estão abrangidos por este regime de trabalhadores independentes. O diferimento da Segurança Social aqui aplicado é o da primeira atividade como independente: quem reinicia atividade, ou pede o enquadramento antecipado, pode começar a contribuir mais cedo. E a dispensa de retenção quando o montante de cada retenção é inferior a 25 € (artigo 101.º-B, n.º 1, alínea d), do CIRS) aplica-se a cada retenção: se o valor que introduzires juntar várias faturas pequenas, a retenção real pode ser inferior à mostrada.

Líquido mensal estimado (antes do acerto final do IRS)
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A retenção de IRS varia por tipo de atividade; na primeira atividade como independente, a Segurança Social só se paga a partir do 13.º mês.

Retenção de IRS—
Segurança Social—
Faturação deste ano face ao limite de IVA—

Isto compara só o que já faturaste este ano. A isenção de IVA depende do volume de negócios do ano civil anterior (artigo 53.º, n.º 1, do CIVA): se no ano passado ultrapassaste os 15.000 €, já estás fora da isenção desde 1 de janeiro, mesmo que este ano fatures menos. Quem abre atividade agora conta com o volume de negócios que estimar para o ano em curso. Um ato isolado fica fora deste regime de isenção (n.º 6, alínea a)), qualquer que seja o valor.

Como ler este resultado

A retenção de IRS mostrada acima é um adiantamento por conta do IRS final, entregue ao Estado por quem te paga (só há retenção quando quem te paga tem ou deve ter contabilidade organizada — se faturas a um cliente particular, que não tenha essa obrigação, não há retenção nenhuma) — não é o imposto definitivo. O valor de IRS que realmente deves só é apurado na declaração anual (Modelo 3, a que entregas todos os anos entre abril e junho), com base em todo o rendimento do ano e nas deduções a que tens direito. Consoante a diferença entre o que foi retido e o que é devido, podes ter reembolso ou imposto adicional a pagar.

Como funciona o cálculo

O simulador aplica a retenção na fonte de IRS diretamente sobre o valor faturado: 23% nas atividades profissionais especificamente previstas na tabela a que se refere o artigo 151.º do CIRS, ou 11,5% nas restantes prestações de serviços, incluindo os atos isolados dessas prestações (artigo 101.º, n.º 1, alíneas b) e c), do CIRS). Se escolheres venda de bens, hotelaria, restauração e bebidas, não há retenção a descontar, porque são atividades comerciais (artigo 4.º, n.º 1, do CIRS) e não constam de nenhuma alínea do artigo 101.º, n.º 1. Se assinalares dispensa de retenção, esse valor passa a zero enquanto a dispensa se mantiver — cessa no mês seguinte àquele em que atinges o limite de 15.000 € (artigo 101.º-B, n.º 3, alínea b), do CIRS) —, mas o rendimento continua sujeito a IRS na declaração anual: só a retenção mensal desaparece. Se o montante de cada retenção for inferior a 25 €, não há retenção (artigo 101.º-B, n.º 1, alínea d), do CIRS). Esta regra vale para cada retenção, ou seja, para cada pagamento; aqui é aplicada ao total do período que indicares, por isso, se esse total juntar vários pagamentos, a retenção real pode ser menor do que a mostrada.

Para a Segurança Social, calcula-se primeiro o rendimento relevante (70% dos serviços prestados, ou 20% da produção e venda de bens e dos serviços de hotelaria, restauração e bebidas), e aplica-se a taxa contributiva de 21,4% (regime regular) ou 25,2% (ENI/EIRL) — mas só a partir do 13.º mês de atividade, porque quem trabalha como independente pela primeira vez tem o enquadramento diferido para o 1.º dia do 12.º mês posterior ao início de atividade. A base de incidência mensal corresponde a um terço do rendimento relevante do trimestre declarado e é a que se usa nesse mês e nos dois meses seguintes; aqui mostra-se a contribuição do período que escolheres, partindo do princípio de que faturas o mesmo valor em todos os meses do trimestre. No início da atividade, e até a primeira declaração trimestral produzir efeito, paga-se a contribuição mínima. Essa base tem um máximo mensal de 12 vezes o IAS (6.445,56 € em 2026) e a contribuição tem um mínimo de 20 € por mês.

O rendimento líquido final é o valor faturado menos estes dois descontos.

Fontes

Consultadas em outubro de 2026. Leis, taxas e prazos mudam: confirma a data de cada documento antes de decidir.

  • Código do IRS — artigos 3.º (rendimentos da categoria B), 4.º (atividades comerciais e industriais, agrícolas, silvícolas e pecuárias), 60.º (prazo de entrega da declaração anual), 98.º (retenção na fonte: regras gerais), 101.º (retenção sobre rendimentos de outras categorias, com as taxas de 23% e de 11,5% da categoria B), 101.º-B (dispensa de retenção na fonte) e 151.º (classificação das atividades) (art. 101.º, Portal das Finanças, art. 101.º-B, art. 98.º, art. 151.º)
  • Código do IVA — artigos 53.º (regime especial de isenção: âmbito de aplicação no território nacional e limite de 15.000 €) e 58.º (cessação do regime de isenção e período em que passa a ser devido o imposto), na redação do Decreto-Lei n.º 35/2025, de 24 de março (art. 53.º, Portal das Finanças, art. 58.º)
  • Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social — Lei n.º 110/2009, de 16 de setembro, e Decreto-Lei n.º 2/2018, de 9 de janeiro, que altera o regime contributivo dos trabalhadores independentes (Lei n.º 110/2009, Diário da República, Decreto-Lei n.º 2/2018)
  • Segurança Social, Guia Prático 1009 — Novo Regime dos Trabalhadores Independentes (Instituto da Segurança Social, versão 1.09, de 12/01/2026) — enquadramento e início da obrigação de contribuir, rendimento relevante, taxas contributivas, base de incidência (com o limite máximo e a contribuição mínima), declaração trimestral e prazos de pagamento (Segurança Social)
  • Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro — fixa o valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS) para 2026 em 537,13 € (artigo 2.º), com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026 (Diário da República)
  • Autoridade Tributária, fichas doutrinárias — processo 2638/2018 (despacho de 25-10-2019) e processo 4006/2019 (despacho de 20-12-2019), sobre a taxa de retenção na fonte aplicável à atividade com o código 1519, «Outros prestadores de serviços» (11,5%, artigo 101.º, n.º 1, alínea c), do Código do IRS) (processo 2638/2018, processo 4006/2019)

Perguntas frequentes

A taxa geral é 23% sobre o valor faturado e aplica-se às atividades profissionais especificamente previstas na tabela a que se refere o artigo 151.º do CIRS. A taxa de 11,5% aplica-se às restantes prestações de serviços, as que não estão especificamente previstas nessa tabela — o que inclui o código 1519, «Outros prestadores de serviços», que consta da tabela mas não identifica uma profissão concreta e é retido a 11,5%, segundo o entendimento da Autoridade Tributária nas fichas doutrinárias dos processos 2638/2018 e 4006/2019. É também a taxa dos atos isolados de prestação de serviços, desde que a atividade em causa não esteja especificamente prevista na tabela: a lei ressalva os rendimentos «não compreendidos na alínea anterior» (artigo 101.º, n.º 1, alíneas b) e c), e artigo 3.º, n.º 2, alínea i), do CIRS). Se o teu ato isolado for de uma profissão especificamente prevista na tabela, confirma a taxa antes de emitir o recibo. A venda de bens e os serviços de hotelaria, restauração e bebidas são atividades comerciais (artigo 4.º, n.º 1, do CIRS) e não constam de nenhuma alínea do artigo 101.º, n.º 1: não há retenção na fonte sobre esses rendimentos. O simulador não calcula a opção por uma taxa inteira superior à legal — 25%, por exemplo —, que o artigo 98.º, n.º 6, do CIRS permite pedir por declaração à entidade que paga os rendimentos.

Não. A retenção na fonte é um adiantamento por conta do IRS do ano, entregue mensalmente ao Estado por quem te paga. O imposto definitivo só é apurado na declaração anual de IRS (Modelo 3, a que entregas todos os anos entre abril e junho), e a diferença entre o que foi retido e o que é realmente devido resulta em reembolso ou em imposto adicional a pagar.

Quem trabalha como independente pela primeira vez tem o enquadramento diferido: a obrigação de contribuir começa no 1.º dia do 12.º mês após o início de atividade. Na prática, começas a pagar no 13.º mês, contando o mês de abertura como o 1.º: se abriste atividade em março de 2026, passas a ter contribuição devida a partir de março de 2027, e a contribuição de março paga-se entre 10 e 20 de abril. Quem reinicia atividade contribui a partir do 1.º dia do mês do reinício, com uma exceção: se a atividade tiver terminado durante os primeiros 12 meses, a contagem desses 12 meses não recomeça — é retomada no 1.º dia do mês em que a atividade reabre, desde que isso aconteça nos 12 meses seguintes ao fim da anterior. Podes ainda pedir o enquadramento antecipado na declaração trimestral de janeiro, abril, julho ou outubro. A partir daí, descontas sobre o rendimento relevante, a parte do que faturas que conta para a Segurança Social.

Incide sobre o rendimento relevante, que corresponde a 70% dos serviços prestados (ou 20% no caso da produção e venda de bens e dos serviços de hotelaria, restauração e bebidas), à taxa contributiva de 21,4% para a generalidade dos trabalhadores independentes, ou 25,2% para quem exerce a atividade como Empresário em Nome Individual (ENI) ou através de Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada (EIRL). A base de incidência mensal é um terço do rendimento relevante apurado na declaração trimestral e é a que se usa nesse mês e nos dois meses seguintes, por isso o que pagas num mês reflete o que faturaste no trimestre declarado. Essa base tem um máximo mensal de 12 vezes o IAS (o valor de referência dos apoios sociais, 537,13 € em 2026, ou seja 6.445,56 €) e há uma contribuição mínima de 20 € por mês. No início da atividade, e até a primeira declaração trimestral produzir efeito, a contribuição é essa mínima de 20 € por mês. O simulador calcula a contribuição do período que indicares, partindo do princípio de que faturas o mesmo valor em todos os meses do trimestre. Quem acumula a atividade independente com trabalho por conta de outrem tem regras próprias: pode ficar isento se o rendimento relevante médio mensal, apurado por trimestre, for inferior a 4 vezes o IAS (2.148,52 € em 2026) e se, ao mesmo tempo, as duas atividades forem prestadas a entidades diferentes e fora do mesmo grupo, o outro regime cobrir as situações protegidas no regime dos trabalhadores independentes e o salário médio mensal considerado nesse outro regime for igual ou superior ao IAS (537,13 € em 2026). Havendo acumulação e um rendimento relevante médio mensal igual ou superior a 4 vezes o IAS, a base de incidência é só a parte que excede esse valor.

É um regime que dispensa de cobrar IVA nas faturas (o que se chama liquidar IVA) quem tenha sede ou domicílio em território nacional, não pratique operações de exportação nem atividades conexas, e não tenha atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios em território nacional superior a 15.000 € (artigo 53.º, n.º 1, do CIVA); quem abre atividade agora conta com a estimativa que fizer para o ano em curso (n.º 5). O regime não se aplica a quem pratica uma só operação tributável: um ato isolado fica fora desta isenção, qualquer que seja o valor (artigo 53.º, n.º 6, alínea a), do CIVA). Existe uma tolerância de 25% (até 18.750 €) no próprio ano em que o limite é ultrapassado: se passares os 18.750 €, é devido imposto, com referência às operações efetuadas, a partir do momento em que excedes esse valor; se passares os 15.000 € mas ficares abaixo dos 18.750 €, só a partir de 1 de janeiro do ano seguinte (artigo 58.º, n.os 2 e 4, do CIVA). Num caso e no outro há uma declaração de alterações a entregar: 15 dias úteis a contar do momento em que excedes a tolerância, ou 15 dias úteis a contar do último dia do ano em que ultrapassaste o limite (artigo 58.º, n.º 5, do CIVA).

Sim, se prevês auferir este ano um montante inferior ao limite da isenção de IVA, 15.000 € (artigo 101.º-B, n.º 1, alínea a), do CIRS, por remissão para o n.º 1 do artigo 53.º do CIVA), e se no ano anterior não auferiste um montante igual ou superior a esse limite. A dispensa é facultativa e exerce-se pondo no recibo a menção «Sem retenção, nos termos do n.º 1 do artigo 101.º-B do Código do IRS»; cessa no mês seguinte àquele em que atingires o limite. Não abrange as comissões por intermediação na celebração de contratos.