Poder de compra é o que consegues comprar com o teu dinheiro: se os preços sobem e o teu dinheiro fica igual, compras menos. Este simulador mostra quanto valerá o teu dinheiro daqui a alguns anos, em euros de hoje, e quanto precisarias de ter no futuro para manteres o mesmo poder de compra. O cálculo é feito no teu dispositivo: os valores que escreves não são enviados nem guardados.
Inflação e poder de compra
Preenche os três campos e vê o resultado: quanto valerá este dinheiro daqui a alguns anos, em euros de hoje.
Se este dinheiro ficar parado, sem render, compra menos com o passar dos anos.
O IPC (Índice de Preços no Consumidor, o indicador oficial da subida dos preços, calculado pelo INE) teve uma variação média anual de 2,3% em 2025. Em agosto de 2026, os preços estavam 3,3% acima dos de agosto de 2025 e, em média, nos 12 meses até agosto, 2,7% acima dos 12 meses anteriores. Começamos com 2,5%, entre o objetivo de 2% a médio prazo do Banco Central Europeu para a área do euro e essa subida média de 2,7%; muda-o se quiseres testar outro cenário. O cálculo assume uma taxa constante todos os anos, o que na prática não acontece — a inflação varia de ano para ano; o IPC é também uma média nacional, que pode não corresponder à inflação que sentes no teu próprio orçamento. Este resultado é uma ilustração, não uma previsão.
Como funciona o cálculo
O valor futuro, em euros de hoje, calcula-se dividindo o montante por (1 + inflação) uma vez por cada ano. Com 10 000 € e 2,5% durante 15 anos, o resultado é cerca de 6 900 €. O valor de “precisarias de ter” faz a conta ao contrário: multiplica o montante pelo mesmo fator e mostra quanto dinheiro seria preciso, em euros da altura (o valor que aparece no extrato, sem descontar a subida dos preços), para manter o poder de compra de hoje — no mesmo exemplo, cerca de 14 500 €. Este resultado é uma ilustração, não uma previsão.
A inflação que já aconteceu. Não é preciso projetar nada para ver o efeito. Em Portugal, o IPC subiu, em variação média anual, 7,8% em 2022, 4,3% em 2023, 2,4% em 2024 e 2,3% em 2025 (INE). Encadeadas (1,078 × 1,043 × 1,024 × 1,023), estas quatro subidas dão cerca de 17,8% de aumento de preços entre a média de 2021 e a média de 2025: 10 000 € deixados numa conta sem juros desde 2021 compravam, em 2025, o mesmo que cerca de 8 490 € compravam em 2021. É uma perda de cerca de 15% do poder de compra, a mesma de um salário que não tenha subido nesse período.
Um atalho para fazer de cabeça. Para saberes ao fim de quantos anos o dinheiro parado perde metade do poder de compra, divide 70 pela taxa de inflação: a 2,5% dá 28 anos (a conta exata dá 28,1) e a 2,7% dá 26 anos (26,0). Se o dinheiro vai ficar parado durante esse tipo de prazo, vale a pena ver onde rende mais o dinheiro parado.
Para simular um depósito, e não dinheiro parado. Escreve no campo da inflação a diferença entre a inflação e o rendimento líquido do depósito. Com 2,5% de inflação e um depósito que rende 1,80% líquidos por ano (2,50% brutos, depois do imposto de 28%), escreve 0,7: se a taxa se mantiver e os juros ficarem no depósito a render também, os 10 000 € valem, ao fim de 15 anos, cerca de 9 000 € em euros de hoje, contra cerca de 6 900 € se ficassem parados. A subtração é um atalho; a conta exata usa 1,025 ÷ 1,018 − 1, que dá 0,688%: escrevendo 0,688, o resultado é 9 023 €.
Neste uso, lê só o valor principal e a perda. A frase por baixo do número continua a falar de dinheiro parado e o valor de “precisarias de ter” passa a ser calculado com essa diferença, e não com a inflação: ignora os dois. Com 2,5% de inflação, continuas a precisar de cerca de 14 500 € daqui a 15 anos para manter o poder de compra, e o depósito deixa-te cerca de 13 070 € no extrato. Se o depósito render, líquido, mais do que a inflação, a diferença fica negativa: escreve-a com o sinal de menos e o simulador mostra um ganho de poder de compra (ignora o aviso sobre descida de preços).
Fontes e referências
Consultadas em setembro de 2026. As ligações apontam para a versão em vigor à data; confirma sempre a versão mais recente antes de decidires.
- INE — Índice de Preços no Consumidor, agosto de 2026, destaque de 10/09/2026: variação homóloga de 3,3%, aceleração explicada quase na totalidade pelo gasóleo, variação média dos últimos 12 meses de 2,7% e do IPC sem habitação de 2,56% (ine.pt)
- INE — Índice de Preços no Consumidor, variação média anual: 2,3% em 2025, destaque de 13/01/2026 (ine.pt); 2,4% em 2024, destaque de 13/01/2025 (ine.pt); 4,3% em 2023 e 7,8% em 2022, destaque de 11/01/2024 (ine.pt)
- Banco Central Europeu — Estratégia de política monetária: objetivo de inflação de 2% a médio prazo, medido pelo IHPC, para a área do euro no seu conjunto (ecb.europa.eu)
- Banco de Portugal — Boletim Económico de junho de 2026, projeções para a economia portuguesa, Quadro I.1.1: inflação medida pelo IHPC de 3,1% em 2026, 2,4% em 2027 e 2,0% em 2028 (bportugal.pt, PDF)
- Autoridade Tributária e Aduaneira — Código do IRS, art. 71.º: taxa liberatória de 28% sobre rendimentos de capitais (n.º 1) e opção pelo englobamento (n.os 9 e 10) (Portal das Finanças)
- Diário da República — Lei n.º 6/2006 (Novo Regime do Arrendamento Urbano), art. 24.º: coeficiente anual de atualização das rendas, apurado pelo INE e publicado até 30 de outubro (texto consolidado); Código Civil, art. 1077.º: atualização da renda na falta de regra no contrato e comunicação escrita com 30 dias de antecedência (texto consolidado)
Perguntas frequentes
Divide-se o montante por (1 + inflação anual) uma vez por cada ano. Com 10 000 € e 2,5% durante 15 anos, o resultado é cerca de 6 900 €: é quanto esse dinheiro compraria, em termos de hoje, ao fim desses 15 anos.
Se não souberes, usa 2,5%, o valor com que o simulador começa: fica entre o objetivo de 2% a médio prazo do Banco Central Europeu para a área do euro e a subida média dos preços em Portugal nos 12 meses até agosto de 2026, face aos 12 meses anteriores (2,7%, INE). Para veres quanto o resultado depende desta escolha, experimenta também 2% e 3%.
O IPC (Índice de Preços no Consumidor, o indicador oficial da subida dos preços, calculado pelo INE) teve uma variação média anual de 7,8% em 2022, 4,3% em 2023, 2,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Em agosto de 2026, os preços estavam 3,3% acima dos de agosto de 2025 e a variação média dos últimos 12 meses (a média desses 12 meses face à dos 12 anteriores) era 2,7%. Para projeções longas, essa média é um ponto de partida mais estável do que a comparação de um só mês com o mesmo mês do ano anterior, que pode ser puxada por efeitos pontuais: a aceleração de agosto de 2026 é explicada quase toda pelo preço do gasóleo.
Como referência de longo prazo, o Banco Central Europeu aponta a uma inflação de 2% a médio prazo na área do euro, medida pelo IHPC (o índice de preços harmonizado, comparável entre países da UE), e Portugal pode ficar acima ou abaixo disso. Segundo o Boletim Económico de junho de 2026 do Banco de Portugal, a inflação em Portugal, medida pelo IHPC, deverá subir para 3,1% em 2026 e descer para 2,4% em 2027 e 2,0% em 2028.
Não é a variação homóloga (a comparação com o mesmo mês do ano anterior) que aparece nas notícias. A referência para a atualização das rendas no ano seguinte é a variação média dos últimos 12 meses do IPC sem habitação, que em agosto de 2026 foi 2,56% (INE). É a partir dela que o INE apura o coeficiente de atualização, publicado no Diário da República até 30 de outubro. Se o contrato não fixar outra regra de atualização, é esse coeficiente que o senhorio pode aplicar (Código Civil, artigo 1077.º), e tem de te comunicar a nova renda por escrito, com pelo menos 30 dias de antecedência. Se o coeficiente para 2027 for 1,0256, como resulta destes 2,56%, uma renda de 750 € atualizada em 2027 passa para 769,20 €.
É o valor, em euros da altura (o que aparece no extrato, sem descontar a subida dos preços), que precisarias de ter na data futura para manteres o mesmo poder de compra que o montante de hoje. É o montante atual corrigido para cima pela inflação acumulada.
Porque os preços dos bens e serviços sobem ao longo do tempo (inflação), mas o dinheiro parado não acompanha essa subida. Cada euro compra cada vez menos, mesmo que o número na conta bancária se mantenha igual.
Não diretamente: serve para perceberes o efeito da inflação por si só. Para comparares se um investimento compensa a inflação, precisas de olhar para quanto esperas que o investimento renda por ano, face à taxa de inflação que aqui usares. O que conta é o rendimento líquido: os juros de um depósito num banco português têm, em regra, 28% de imposto, retido pelo próprio banco (a taxa liberatória do artigo 71.º, n.º 1, do Código do IRS). Um depósito a 2,50% brutos fica assim em 1,80% líquidos para quem não opte por englobar (juntar estes rendimentos aos outros, no IRS): abaixo dos 2,5% com que o simulador começa e da inflação de agosto de 2026, tanto a média dos últimos 12 meses (2,7%) como a comparação com agosto de 2025 (3,3%).