Tens um valor-alvo e uma data em mente? Descobre quanto precisas de poupar todos os meses para lá chegares, tendo em conta o que já tens e o rendimento esperado do teu dinheiro. O cálculo é feito no teu navegador, e nada do que escreves sai dele. A exceção é o relatório detalhado por email, mais abaixo, e só se o pedires: aí enviamos o teu email e os números do cálculo (e o teu nome, se pedires também as novidades), e guardamo-los até nos pedires para os apagar.
Objetivo de poupança
Os campos abrem com valores de exemplo: escreve os teus para veres o teu resultado.
Indica o objetivo, o que já tens e o prazo para veres quanto tens de poupar por mês.
Escreve a taxa já líquida de imposto: o cálculo não desconta impostos nem comissões, e as comissões, se as houver, baixam o que efetivamente recebes. Para prazos de 5 anos ou menos, taxas de rendimento elevadas implicam risco de chegar à data com menos do que precisas: não uses mais do que a taxa líquida de um produto sem risco. Os 3% que o simulador traz são só um exemplo: em setembro de 2026 estão acima do que os produtos sem risco pagam em termos líquidos (cerca de 1,7% a 2,3% no comparador de poupança de baixo risco); troca-os pela taxa que se aplica ao teu caso. Este cálculo assume uma taxa constante todos os anos (os mercados reais oscilam e podem ter anos de perdas).
Como funciona o cálculo
O simulador projeta primeiro o que já tens de lado até à data-alvo, ao rendimento esperado. A diferença entre o teu objetivo e esse valor projetado é depois convertida numa entrega mensal constante, usando a fórmula das prestações constantes. O cálculo tem em conta que cada entrega também rende até à data-alvo (são os juros compostos: o rendimento que já ganhaste passa a render também). A taxa anual é tratada como taxa efetiva: o crescimento mensal usado é (1+taxa)^(1/12)−1, de modo que uma taxa de 7% ao ano rende exatamente 7% ao fim de 12 meses.
O que este cálculo assume. Assume-se que entregas o valor no fim de cada mês e que a taxa é a mesma durante todo o prazo. O prazo em anos é convertido no número de meses mais próximo, e é esse número de entregas que o resultado considera. Os valores aparecem arredondados ao euro, mas as contas usam os valores exatos: por isso, 60 entregas de 393 € mais 4.000 € não dão exatamente o que o simulador mostra em «O que pões». O objetivo está em euros da data-alvo, não de hoje: se estás a pensar num preço atual (uma casa, um carro), os preços tendem a subir até lá, por isso convém indicares um valor um pouco superior. O que já tens de lado cresce à mesma taxa, por isso, se está numa conta que não rende, usa 0%. O resultado não desconta impostos nem comissões.
O exemplo que já vem preenchido
Os campos abrem com um exemplo: 30.000 € daqui a 5 anos, 4.000 € já de lado, 3% ao ano. Dá 393 € por mês. Na data-alvo, 27.564 € são dinheiro teu (os 4.000 € iniciais mais as 60 entregas) e 2.436 € vieram do rendimento — 8% do objetivo. Sem render nada, a mesma meta pede 433 € por mês. Num prazo de 5 anos, passar de 0% para 3% baixa a entrega de 433 € para 393 € por mês, menos de um décimo (cerca de 9%): é por isso que, em proporção, a escolha do produto pesa menos aqui do que num objetivo a 20 anos. Aí, com os mesmos 30.000 € e 4.000 €, a mesma diferença de taxa baixa a entrega de 108 € para 70 € por mês, mais de um terço (cerca de 36%).
O truque: num objetivo a poucos anos, o prazo pesa mais do que a taxa
No mesmo objetivo de 30.000 €, passar de 5 para 7 anos baixa a entrega de 393 € para 269 € por mês. Subir a taxa esperada de 3% para 7% ao ano — que não depende de ti e obriga a correr risco — baixa-a para 343 €. O inverso é o que custa caro: adiar o arranque um ano, mantendo a mesma data-alvo, deixa-te quatro anos e cerca de 500 € por mês, mais de 100 € acima dos 393 € de quem começa agora. Antes de procurares um produto que renda mais, mexe na data e na primeira entrega.
Se o objetivo é um preço de hoje, sobe o alvo
O simulador devolve euros da data-alvo, e o que interessa é o preço que a coisa terá nessa data. Uma forma simples de o estimar: multiplica o preço de hoje por 1,02 elevado ao número de anos — 2% ao ano é o objetivo de médio prazo do Banco Central Europeu para a inflação na área do euro, não uma previsão nem uma garantia. Nos 5 anos do exemplo, os 30.000 € passam a 33.122 €, e a entrega mensal sobe de 393 € para 441 €. São 48 € por mês que, de outra maneira, só descobrias que faltavam no dia da compra. Nos 12 meses até agosto de 2026, os preços no consumidor subiram 2,7% em média, segundo o INE, e o simulador de inflação parte de 2,5%: a essa taxa, os 30.000 € passam a 33.942 € e a entrega a 454 € por mês. E se o que queres comprar tem subido mais depressa do que os preços em geral, 2% fica curto: em 2025, segundo o INE, os preços da habitação subiram 17,6% e os preços no consumidor 2,3%, em média. Não quer dizer que se repita, mas, se o objetivo é a entrada de uma casa, faz também a conta com uma subida maior.
Se o dinheiro está num depósito, escreve a taxa líquida
Na regra geral, para residentes sem regime fiscal especial, os juros de depósitos pagos por um banco com sede em Portugal, ou pela sucursal portuguesa onde a tua conta está aberta, são tributados à taxa liberatória de 28% (artigo 71.º, n.º 1, do Código do IRS): o banco retém o imposto quando te paga os juros e, em regra, não tens de fazer mais nada. Nos Certificados de Aforro é igual, e os juros são capitalizados já líquidos de IRS. O que volta a render no período seguinte já é o juro líquido, por isso é a taxa líquida que deves escrever no campo: 3% brutos são 2,16% líquidos (3 × 0,72). Se tens domicílio fiscal nos Açores ou na Madeira, a taxa retida pode ser outra: confirma a taxa líquida junto do banco ou, nos Certificados de Aforro, no simulador da página do IGCP, que tem uma opção de retenção própria para as regiões autónomas. No exemplo, se os 3% forem a taxa bruta de um depósito, a entrega passa de 393 € para 404 € por mês, e o que pões ao todo sobe de 27.564 € para 28.230 €: são 666 € a mais a sair do teu bolso por causa do imposto sobre os juros. Não é o total do imposto pago, que é um pouco maior: parte dele é compensada pelos juros que as entregas a mais também rendem.
Se a conta está num banco sem sede nem sucursal em Portugal, ou na casa-mãe estrangeira de um banco que cá tem sucursal, em regra não há retenção cá e o imposto é apurado na tua declaração de IRS do ano seguinte, onde tens de declarar esses juros. A taxa é a mesma, 28%, mas há exceções: sobe para 35%, por exemplo, se o banco não tiver presença em Portugal e estiver domiciliado num país, território ou região com regime fiscal claramente mais favorável (da lista aprovada por portaria). A taxa a escrever continua a ser a líquida. Podes optar por englobar estes juros (juntá-los aos teus outros rendimentos no IRS e pagar à taxa do teu escalão), desde que não os obtenhas no âmbito de uma atividade empresarial ou profissional; nesse caso, o imposto retido passa a ser um adiantamento do imposto devido no final, e a opção abrange todos os rendimentos de capitais desse ano, não só estes juros (artigos 71.º, n.os 9 e 10, e 22.º, n.º 5, do Código do IRS): ver englobar ou ficar na taxa liberatória.
O erro caro em objetivos a 5 anos: planear com a taxa do cenário bom. Se puseres 7% no exemplo, o simulador pede-te 343 € por mês. Se o dinheiro acabar por não render nada, essas 60 entregas mais os 4.000 € iniciais dão 24.554 € na data-alvo — faltam 5.446 € para os 30.000 €, e já não há prazo para recuperar. Ao contrário de um objetivo a 20 anos, aqui não tens tempo do teu lado: por isso, para 5 anos ou menos, a taxa prudente é a líquida de um produto sem risco, ou 0%, e o que sobrar é bem-vindo em vez de ser indispensável.
Como tirar daqui uma decisão, em cinco minutos
- Escreve o objetivo em euros da data-alvo, não no preço que vês hoje na montra. Se é a entrada de uma casa, junta-lhe o que a compra custa além do preço: o IMT e o Imposto do Selo sobre a compra, salvo isenção (o simulador de IMT calcula o primeiro), a escritura e os registos e, se pedires crédito, o Imposto do Selo sobre o empréstimo (0,6% do valor, nos créditos a 5 anos ou mais), a avaliação bancária e as comissões do banco (ver o guia do crédito à habitação).
- Em "já tens", conta só o dinheiro que é mesmo para isto. O fundo de emergência não entra: tem outro dono e outra finalidade.
- Usa a taxa do sítio onde o dinheiro vai estar, líquida se os juros forem tributados à medida que os recebes. Para 5 anos ou menos, não mais do que a taxa líquida de um produto sem risco; numa conta que não rende, 0%. As taxas brutas e líquidas dos produtos sem risco estão lado a lado no comparador de poupança de baixo risco.
- Compara a entrega mensal com o teu orçamento de hoje. Se não cabe no mês normal, não é um plano — é uma intenção.
- Se não couber, mexe por esta ordem: data-alvo, depois valor do objetivo. Não subas a taxa só para o número caber: é a única que não controlas.
- Marca a transferência para o dia a seguir ao ordenado e volta cá quando algo mudar: um aumento, um crédito que acabou, um objetivo que mudou de data.
Fontes
Consultadas em setembro de 2026. Os valores do simulador e dos exemplos são cálculos feitos com a fórmula descrita acima.
- Código do IRS, artigos 71.º (taxa liberatória de 28%, retenção na fonte e opção pelo englobamento), 72.º (taxa de 28% quando não há retenção em Portugal, n.º 1, alínea d); 35% no caso do n.º 18, alínea a)) e 22.º, n.º 5 (a opção pelo englobamento abrange a totalidade dos rendimentos da mesma categoria) (Portal das Finanças, art. 71.º; art. 72.º; art. 22.º)
- Código do IMT, artigos 2.º, n.º 1 (incidência sobre a compra de imóveis) e 9.º (isenção pela aquisição de prédios destinados exclusivamente a habitação, incluindo a dos jovens até 35 anos); Código do Imposto do Selo, artigo 7.º-A (dedução do Imposto do Selo na compra por jovens) e Tabela Geral, verbas 1.1 (0,8% sobre a aquisição de imóveis) e 17.1.3 (0,6% sobre créditos de prazo igual ou superior a 5 anos) (Código do IMT; Código do Imposto do Selo, Portal das Finanças)
- IGCP, ficha técnica dos Certificados de Aforro Série F: juros trimestrais, capitalizados líquidos de IRS (igcp.pt); simulador da página dos Certificados de Aforro, com opção de retenção para as regiões autónomas (igcp.pt)
- Banco Central Europeu, declaração de estratégia de política monetária (2025): objetivo de inflação de 2% a médio prazo (ecb.europa.eu)
- INE, Índice de Preços da Habitação, 4.º trimestre de 2025 (23/03/2026): variação de 17,6% em 2025 (ine.pt)
- INE, Índice de Preços no Consumidor, agosto de 2026 (10/09/2026): variação média dos últimos doze meses de 2,7% (ine.pt)
- INE, Índice de Preços no Consumidor, dezembro de 2025 (13/01/2026): variação média anual de 2,3% em 2025 (ine.pt)
Perguntas frequentes
O simulador projeta primeiro o que já tens de lado até à data-alvo, ao rendimento esperado. À diferença entre o teu objetivo e esse valor projetado, aplica-se a fórmula que dá a entrega mensal necessária para lá chegares no prazo definido, já considerando que cada entrega também rende.
Para prazos de 5 anos ou menos, é prudente não usar mais do que a taxa líquida que um produto sem risco te paga hoje (ou 0%, se o dinheiro estiver numa conta que não rende), porque investimentos que podem render mais também podem cair bastante, e se precisas do dinheiro numa data fixa não tens tempo para esperar que o valor recupere.
É quanto do dinheiro final vem do rendimento e não das tuas entregas: a diferença entre o objetivo e a soma do que já tinhas com todas as entregas mensais. Se o que já tens chega para o objetivo, mostra apenas o rendimento que esse dinheiro vai ter até à data-alvo.
Sim, mas a taxa que faz sentido usar muda com o prazo: para horizontes longos podes considerar taxas mais próximas das que o mercado acionista tem dado historicamente, sabendo que não há garantia; para horizontes curtos, taxas mais conservadoras evitam que tenhas menos do que precisas na data-alvo.
Tens duas variáveis que dependem de ti: a data-alvo e o valor do objetivo. Adiar a data-alvo é a primeira a experimentar: no exemplo que vem preenchido, passar de 5 para 7 anos baixa a entrega de 393 € para 269 € por mês. Baixar o valor do objetivo é a segunda. A taxa esperada não é uma alavanca: não depende de ti e, se a subires só para o número caber, arriscas chegar à data com menos do que precisas.
Não. O valor que escreves no objetivo é em euros da data-alvo. Se estás a pensar num preço de hoje, sobe-o antes de o escrever: a 2% ao ano, 30.000 € de hoje correspondem a 33.122 € daqui a 5 anos, e a entrega mensal do exemplo passa de 393 € para 441 €.