Descobre quanto podes juntar se poupares todos os meses, e quanto desse valor é dinheiro teu e quanto são juros. Juros compostos são os juros que ganhas e que passam a render também. Preenche os campos abaixo — o cálculo corre inteiramente no teu navegador.
Faz a simulação
Quanto vale a tua poupança daqui a alguns anos, separando o que pões de teu dos juros que o dinheiro rende.
Os valores que vêm preenchidos são um exemplo, não uma previsão. Usar a mesma rentabilidade todos os anos é uma simplificação: no mercado, os valores oscilam e há anos com perdas. Deixa 0 nos campos que não se aplicam.
Com uma rentabilidade positiva, quanto mais tempo passa, maior é a fatia dos juros no total: nos primeiros anos, a maior parte do valor é o que puseste de teu.
Com uma inflação de 2% ao ano — o objetivo de médio prazo do Banco Central Europeu, fixo neste simulador e não uma previsão —, este valor compraria o mesmo que — compram hoje. Se a inflação for mais alta, sobra menos poder de compra.
Como funciona o cálculo
O simulador projeta o valor inicial e cada reforço mensal somando os juros ao dinheiro uma vez por mês (para que também eles passem a render), à taxa mensal equivalente à taxa anual que definires, (1+taxa)^(1/12)−1, de modo que o valor inicial, a 7% ao ano, rende exatamente 7% ao fim de 12 meses. Cada reforço entra no fim do mês. O resultado final é depois dividido em duas partes: o que puseste de teu (valor inicial mais todos os reforços mensais) e os juros acumulados sobre esse dinheiro ao longo do tempo. Campos vazios ou negativos no valor inicial, no reforço e nos anos contam como 0. A rentabilidade está limitada entre −99% e 100% ao ano e o prazo a 100 anos: um valor fora destes limites é calculado com o limite. O número de meses é o dos anos que indicares arredondado ao mês mais próximo. A nota da inflação é uma conta à parte, feita depois: divide o valor final por 1,02 elevado ao número de anos, contado nesses mesmos meses (meses ÷ 12). Os valores aparecem arredondados ao euro, por isso uma soma ou subtração feita com eles pode diferir 1€ da conta exata.
O exemplo que já vem preenchido
Os campos abrem com um exemplo, não com uma previsão: 5.000€ já poupados, 250€ por mês, 6% ao ano, 20 anos. Dá 129.395€. Desses, 65.000€ são teus (os 5.000€ iniciais mais 240 reforços de 250€) e 64.395€ são juros — metade do valor final veio de dinheiro que não saiu do teu bolso. Mas são euros de daqui a 20 anos: em poder de compra de hoje, com 2% de inflação ao ano, esses 129.395€ valem 87.079€, e parte dos juros serve só para compensar a subida dos preços. E o custo de adiar: se começares daqui a cinco anos, com os mesmos 5.000€ e os mesmos 250€ por mês, e mantiveres a data de chegada, ficas com 15 anos em vez de 20 (no simulador, Anos = 15) e chegas a 83.711€ — menos 45.685€, dos quais 15.000€ são reforços que não chegas a fazer e 30.685€ são juros que nunca chegam a existir. Adiar cinco anos é cortar os últimos cinco da curva, os mais caros de todos, aqueles em que o bolo já é grande.
O truque: mexe primeiro no que controlas
O que o mercado vai render não depende de ti; o que depende de ti, nessa rentabilidade, é quanto dela deixas ir em comissões e outros custos do produto que escolhes. No mesmo cenário, subir a rentabilidade esperada de 6% para 7% ao ano acrescenta 16.837€ ao fim de 20 anos; acrescentar 50€ ao reforço mensal (de 250€ para 300€) acrescenta 22.672€, dos quais 12.000€ são dinheiro que passas a pôr de teu (240 reforços de 50€) e 10.672€ são juros. Neste exemplo, os 50€ a mais por mês (1,64€ por dia) pesam mais no valor final do que um ponto percentual de retorno; com mais tempo ou mais capital, a conta pode inverter-se: a 30 anos, o ponto percentual já acrescenta 58.079€, contra 48.726€ dos 50€ por mês. Nenhuma das duas coisas é desprezável: o reforço depende do teu orçamento, e um ponto percentual pode vir de pagares menos em custos.
Regra dos 72: a conta de cabeça
Divide 72 pela rentabilidade anual e tens, aproximadamente, os anos que o dinheiro demora a duplicar sem reforços. A 6% ao ano, 72 ÷ 6 = 12 anos — e o simulador, que capitaliza ao mês, chega ao dobro aos 11 anos e 11 meses. Entre 4% e 12% ao ano, a regra erra menos de quatro meses; abaixo de 4% afasta-se mais (a 3% diz 24 anos, quando são 23 anos e meio). Serve para uma estimativa de cabeça, não para planear.
Impostos: quando escrever aqui a taxa líquida
O simulador não desconta impostos, e é o momento em que o imposto é cobrado que decide que taxa deves escrever aqui. Na regra geral, em 2026, para residentes sem regime fiscal especial, os juros de depósitos pagos por um banco com sede ou sucursal em Portugal são tributados à taxa liberatória de 28%, retida na fonte quando os juros te são pagos (artigo 71.º, n.º 1, do Código do IRS) — ou seja, o que volta a render no período seguinte já é o juro líquido. Nos Certificados de Aforro é igual: os juros são capitalizados já líquidos de IRS. Num banco sem sede nem sucursal em Portugal, em regra não há retenção cá, mas o imposto, também de 28%, é apurado na tua declaração de IRS do ano seguinte (artigo 72.º, n.º 1, alínea d)): também é cobrado todos os anos, por isso a taxa líquida continua a ser a que melhor descreve o que te fica. Para esses produtos, escreve aqui a taxa líquida: 3% brutos são 2,16% líquidos (3 × 0,72). Em 20 anos, 10.000€ a 3% dão 18.061€; a 2,16%, 15.333€: num depósito, escrever a taxa bruta sobrestima o resultado em 2.728€. Se o mesmo imposto só fosse cobrado no fim, sobre os 8.061€ de juros, ficavas com 15.804€; cobrado todos os anos, custa-te mais 471€, porque o que é retido deixa de render. Nos produtos em que o imposto só é apurado quando vendes, como os ETF de acumulação (os fundos que reinvestem os rendimentos em vez de os distribuir) ou as ações que não pagam dividendos, a taxa bruta faz sentido durante o percurso e o imposto entra no fim (como se calcula, no guia acumulação ou distribuição?). Se a ação ou o ETF distribui dividendos, esses dividendos são tributados, em regra a 28%, em cada ano em que os recebes, tal como os juros; só a valorização fica para a venda. Podes optar por englobar os juros (juntá-los aos teus outros rendimentos no IRS) em vez da taxa liberatória, e aí a taxa efetiva depende do teu escalão; mas a opção abrange todos os rendimentos da mesma categoria desse ano, como os dividendos, e não só estes juros (artigo 22.º, n.º 5) — ver englobar ou ficar pela taxa liberatória.
Como tirar daqui uma decisão, em cinco minutos
- Começa pelo que é verdade hoje, não pelo que gostavas que fosse: o que já tens de lado e o que consegues poupar todos os meses sem falhar, mesmo que sejam 25€.
- Corre três cenários em vez de um (por exemplo, 3%, 6% e 8% ao ano) e fica com o intervalo. Um plano que só funciona no cenário bom não é um plano.
- Se o produto paga juros tributados à medida que os recebes, como um depósito a prazo, escreve a taxa líquida (taxa × 0,72, com os 28%).
- Lê a nota da inflação, não só o número grande. É o valor em poder de compra de hoje que te diz se aquilo chega para o que queres.
- Mexe no que depende de ti: o reforço mensal, os anos e os custos do produto. Para veres o peso dos custos, escreve a rentabilidade já depois das comissões. No exemplo acima, 50€ a mais por mês acrescentam mais ao valor final do que um ponto percentual de retorno, mas 12.000€ desse acréscimo são dinheiro teu.
- Volta cá quando algo mudar — um aumento, o fim de um crédito, um reforço que deixou de caber. O plano só vale enquanto os números forem os teus.
Fontes e referências
Consultadas em setembro de 2026. Os valores do simulador e dos exemplos são cálculos feitos com a fórmula descrita acima.
- Código do IRS, artigos 71.º (taxa liberatória de 28%, retenção na fonte e opção pelo englobamento) e 72.º, n.º 1, alínea d) (taxa de 28% quando não há retenção em Portugal) (Portal das Finanças, art. 71.º; art. 72.º)
- Código do IRS, artigos 5.º (juros e dividendos como rendimentos de capitais) e 22.º, n.º 5 (quem opta pelo englobamento engloba todos os rendimentos da mesma categoria) (Portal das Finanças, art. 5.º; art. 22.º)
- IGCP, ficha técnica dos Certificados de Aforro Série F: capitalização automática dos juros, líquidos de IRS (igcp.pt)
- Banco Central Europeu, declaração de estratégia de política monetária (2025): objetivo de inflação de 2% a médio prazo (ecb.europa.eu)
Perguntas frequentes
Cada mês, o dinheiro já investido rende sobre si próprio (juro sobre juro), além de acrescentares o reforço mensal que definires. Os juros são somados ao dinheiro uma vez por mês e passam a render também. O simulador usa a taxa mensal equivalente à taxa anual que indicares, por isso o valor inicial cresce exatamente essa percentagem ao fim de 12 meses.
No juro simples, os juros incidem sempre sobre o valor inicial. No juro composto, os juros de um período somam-se ao dinheiro e passam também a render no período seguinte — é isso que faz o dinheiro crescer cada vez mais depressa com o tempo.
Depende do tipo de investimento, e o futuro é incerto: em vez de um só número, experimenta vários cenários (por exemplo, 3%, 6% e 8% ao ano). Para depósitos ou Certificados de Aforro, parte da taxa anual que o banco ou o Estado te oferece, que é bruta (antes de impostos), e escreve aqui a taxa líquida (taxa × 0,72): nesses produtos, em regra, os 28% de IRS são retidos à medida que os juros são pagos ou capitalizados. Estas taxas podem mudar ao longo do tempo, consoante o produto.
O número grande não: são euros do futuro, sem desconto nenhum. A nota por baixo do resultado faz essa conversão à parte, a uma inflação fixa de 2% ao ano (o objetivo de médio prazo do Banco Central Europeu, não uma previsão). No exemplo que vem preenchido, 129.395€ daqui a 20 anos compram o mesmo que 87.079€ compram hoje. Se a inflação média for mais alta, sobra menos poder de compra.
Sem reforços, depende só da rentabilidade: divide 72 pela taxa anual e tens a resposta aproximada. A 6% ao ano são cerca de 12 anos (11 anos e 11 meses, no cálculo ao mês do simulador); a 3% ao ano, 23 anos e meio. Com reforços mensais o valor duplica mais depressa, mas aí boa parte do crescimento é dinheiro teu e não juros — é por isso que o simulador separa as duas parcelas.
Para tornares visível o que os juros compostos fazem: nos primeiros anos, a maior parte do valor final é o que puseste de teu; com o tempo, a fatia dos juros vai crescendo. Quanto tempo demora a ultrapassar o que puseste depende da rentabilidade e do prazo que definires.
Não. O simulador não desconta impostos nem comissões: usa a rentabilidade que escreveres. Com a taxa bruta, o valor final é antes de impostos; com a taxa líquida, como se recomenda para depósitos e Certificados de Aforro, já vem sem o imposto sobre os juros. Não inclui o imposto sobre mais-valias (o lucro que ganhas ao vender por mais do que pagaste), que é apurado quando vendes e depende do tipo de investimento e do regime fiscal em vigor.