simulador

Simulador de IRS Jovem

Poupança fiscal acumulada ao longo dos 10 anos do regime · valores 2026

O IRS Jovem isenta uma percentagem decrescente do teu rendimento ao longo de 10 anos: 100% no primeiro, 75% do 2.º ao 4.º, 50% do 5.º ao 7.º e 25% do 8.º ao 10.º — sempre até um teto anual de 29.542,15€ de rendimento isento. Aplica-se, em regra, a quem tem até 35 anos e trabalha por conta de outrem ou de forma independente (condições completas nas perguntas frequentes, no fim). Indica o teu salário bruto anual e a progressão salarial que esperas, e o simulador estima quanto pagarias de IRS com e sem o regime, ano a ano. O cálculo é feito inteiramente no teu navegador: os valores que introduzires não são enviados nem guardados.

Poupança com o IRS Jovem i

Opções avançadas

Cenário-base: solteiro, sem dependentes, no continente, com rendimentos só de trabalho por conta de outrem (categoria A), a começar no 1.º ano do regime. Se tens trabalho independente (categoria B), estes valores não se aplicam diretamente. Pressupostos completos por baixo do resultado.

Poupança fiscal acumulada (10 anos, desde o 1.º ano do regime)
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Este total parte do 1.º ano do regime (100% de isenção) e soma os 10 anos, o que pressupõe que tens 26 anos ou menos a 31 de dezembro desse 1.º ano: o regime deixa de se aplicar a partir do ano em que fazes 36. Se já tens anos de rendimentos das categorias A ou B decorridos, ou mais idade, o teu total é menor. E não é automático: tens de assinalar a opção pelo IRS Jovem na declaração de IRS, todos os anos (vê «Quatro coisas a fazer com este resultado», mais abaixo).

Poupança acumulada, ano a ano

Poupança média por ano—
IRS pago sem o regime (10 anos)—
IRS pago com o regime (10 anos)—
Pressupostos do cenário-base

Cenário-base: um contribuinte solteiro, sem dependentes, residente no continente, com rendimentos só de trabalho por conta de outrem (categoria A), com o abatimento automático de 4.587,09€ que a lei dá a quem trabalha por conta de outrem (a dedução específica, valor de 2026), que aumenta a partir de cerca de 41.700€ de bruto, e 250€ de deduções à coleta (descontos ao imposto já calculado — o limite global das despesas gerais familiares por contribuinte, artigo 78.º-B do Código do IRS) em ambos os cenários. Assume as taxas gerais (sem a taxa adicional de solidariedade, que só conta acima de cerca de 89.900€ brutos) e o teto de isenção de 2026 constantes ao longo dos 10 anos. Os valores são o IRS anual apurado na declaração, não o desconto mensal no recibo (a retenção na fonte). Ver nota metodológica completa abaixo.

Detalhe ano a ano

Ano% de isenção do anoPoupançaIRS sem o regimeIRS com o regimeSalário brutoRendimento isentoTaxa média

A tabela desliza na horizontal em ecrãs estreitos; a coluna "Ano" fica fixa. "Taxa média" é a taxa que resulta de dividir o imposto calculado pelos escalões (a coleta) pelo rendimento sobre o qual se calcula o imposto (o rendimento coletável). É ela que se aplica à parte não isenta: o rendimento isento, apesar de não pagar imposto, entra na conta para definir a taxa que se aplica ao resto (a que a lei chama englobamento). * Isenção limitada ao teto. Quando o rendimento isento é igual ou superior ao rendimento coletável, não sobra nada a tributar e o imposto é zero.

Como ler a tabela, com os valores que aparecem por defeito

Com 20.000€ de bruto no 1.º ano e 3% de progressão ao ano, a estimativa é de 17.862,81€ poupados em 10 anos: 27.110,51€ de IRS sem o regime contra 9.247,70€ com ele, ou seja, menos 66% de imposto. O detalhe diz mais do que o total. Nos quatro primeiros anos (100% e depois 75% de isenção) o IRS cai a zero, e a poupança de cada ano é todo o imposto que pagarias — de 2.058,31€ no 1.º ano a 2.451,47€ no 4.º. A partir do 5.º ano, com 50%, já sobra imposto a pagar; no 8.º, quando a isenção desce para 25%, a poupança anual cai para 1.028,25€, pouco mais de metade da do 7.º ano (1.963,88€). É o desenho do regime: a isenção desce por degraus (100%, 75%, 50% e 25%) e, com estes valores, a poupança cai nas passagens para 50% (do 4.º para o 5.º ano) e para 25% (do 7.º para o 8.º), mesmo com o salário a subir; no resto, sobe um pouco com o salário. Valores ilustrativos, calculados com os parâmetros de 2026 mantidos constantes ao longo dos 10 anos.

Como funciona o cálculo

Para cada um dos 10 anos, o simulador projeta o salário bruto a partir do valor inicial e da progressão indicada, e depois faz sempre o mesmo cálculo do guia do IRS Jovem, aqui desdobrado em oito passos:

  1. Rendimento coletável. Ao salário bruto subtrai-se a dedução específica de categoria A — o montante que a lei deixa abater automaticamente a quem tem rendimentos de trabalho dependente, sem ser preciso justificar despesa nenhuma. Em 2026 são, no mínimo, 4.587,09€ (8,54 × IAS de 537,13€; o IAS, Indexante dos Apoios Sociais, é o valor de referência que o Estado atualiza todos os anos), ou o total das contribuições obrigatórias para regimes de proteção social e para subsistemas legais de saúde, se for maior (artigo 25.º, n.os 1 e 2, do Código do IRS). O simulador só conta a Segurança Social do trabalhador por conta de outrem, que ronda 11% do bruto: com essa percentagem, a dedução só passa a crescer acima de ~41.700€/ano. Se o salário bruto for de 16.543,60€ ou menos, subtrai-se ainda o abatimento por mínimo de existência (artigo 70.º do Código do IRS, ver a nota metodológica), que só tem efeito até cerca de 15.910€.
  2. Coleta total. Aplicam-se os escalões de IRS de 2026 (que taxam cada fatia do rendimento a uma taxa diferente, cada vez mais alta) a esse rendimento coletável inteiro, como se não houvesse isenção nenhuma. São as taxas gerais do artigo 68.º, n.º 1, do Código do IRS, as aplicáveis no continente. Chama-se coleta ao imposto que sai dos escalões, antes de qualquer dedução.
  3. Taxa média. Divide-se a coleta total pelo rendimento coletável total. É a taxa a que, na prática, o rendimento todo foi tributado.
  4. Rendimento isento. A percentagem do ano (100%, 75%, 50% ou 25%) aplica-se ao salário bruto, e o resultado é limitado ao teto de 29.542,15€. O limite é sobre o valor isento, não sobre o salário: com 45.000€ brutos a 75%, a isenção daria 33.750€, mas fica limitada a 29.542,15€.
  5. Coleta com o regime. Multiplica-se o rendimento coletável que sobra depois da isenção pela taxa média do passo 3. O rendimento isento não é tributado, mas continua a contar para determinar a taxa aplicável ao resto (artigo 12.º-B, n.º 4, conjugado com o artigo 22.º, n.º 4, do Código do IRS; a alínea a) do n.º 7 do mesmo artigo 22.º manda considerar esses rendimentos isentos «sem deduções» para determinar as taxas a aplicar ao restante rendimento coletável). Na prática, a coleta desce na proporção do rendimento isento sobre o rendimento coletável total. Como a percentagem se aplica ao salário bruto e o rendimento coletável é menor do que ele, essa proporção fica acima da percentagem do ano enquanto o teto não limita a isenção: é por isso que uma isenção de 75% não se traduz num corte de exatamente 75% do imposto (vê a pergunta frequente sobre isso). Se o rendimento isento for igual ou superior ao rendimento coletável, não sobra nada a tributar e o imposto é zero.
  6. Deduções à coleta. A cada um dos dois cenários subtraem-se 250€ (dedução à coleta: um desconto ao imposto já calculado) — o limite global das despesas gerais familiares por contribuinte, que corresponde a 35% do que gastaste em faturas com o teu número de contribuinte, fora das despesas de saúde, de educação e com imóveis, que têm dedução própria (artigos 78.º-C a 78.º-E do Código do IRS), até esse máximo (artigo 78.º-B, n.º 1, do Código do IRS). O imposto nunca desce abaixo de zero: o que sobrar da dedução não é devolvido.
  7. IRS de cada cenário. Um valor sem o regime, outro com o regime.
  8. Poupança. A diferença entre os dois, somada ao longo dos 10 anos.
Uma nota sobre o passo 2

Para explicar a progressividade, o simulador aplica cada taxa à fatia de rendimento que cai dentro do respetivo escalão. A lei chega lá por um caminho ligeiramente diferente (artigo 68.º, n.º 2, do Código do IRS): divide o rendimento coletável em duas partes — uma igual ao limite do maior escalão em que caiba, sujeita à taxa média que a própria lei publica para esse escalão (a coluna B da tabela do artigo 68.º, que não é a taxa média do passo 3), e o excedente, sujeito à taxa normal do escalão imediatamente superior. A diferença entre os dois caminhos é de cêntimos e não muda nenhuma conclusão, mas é o segundo que a Autoridade Tributária usa na liquidação, ou seja, quando apura o imposto final da tua declaração.

Este encadeamento explica os dois resultados que costumam surpreender. Na generalidade dos salários, a poupança é maior do que a percentagem nominal sugere: a percentagem aplica-se ao salário bruto, mas a dedução específica e os 250€ de deduções à coleta saem por inteiro da parte que continua a ser tributada — e, nos salários mais baixos, o imposto com o regime chega mesmo a zero, porque a coleta que sobra é menor do que os 250€ de deduções. Nos salários altos, a poupança pode ficar abaixo da percentagem nominal, por causa do teto: a partir de certo salário a isenção deixa de crescer, e o que fica acima dela paga imposto à taxa média de todo o rendimento, isento incluído (com os valores de 2026, num ano de 75%, isso acontece a partir de cerca de 45.400€ brutos).

Nota metodológica e limitações

Lê estas limitações antes de tomares qualquer decisão com base nos resultados:

  • Cenário-base fixo: contribuinte solteiro, sem dependentes, com rendimentos exclusivamente de categoria A. Não considera casais que entregam a declaração juntos, nem rendimentos de outras categorias. Quem tenha rendimentos de categoria B (trabalho independente) não tem a dedução específica de categoria A e apura o rendimento por regras próprias, pelo que os valores aqui não se aplicam diretamente a ti.
  • Limite de idade: o simulador não pergunta a tua idade e soma sempre os 10 anos. O regime só vale nos anos em que tens 35 anos ou menos a 31 de dezembro (artigo 12.º-B, n.os 1 e 3, do Código do IRS): se fizeres 36 anos antes do 10.º ano do regime, as linhas da tabela dos anos seguintes já não se aplicam, e o total certo é a soma da poupança até ao último ano em que ainda cumpres o limite. Com os valores por defeito, quem tem 30 anos a 31 de dezembro do 1.º ano do regime só tem 6 anos de isenção, e a poupança acumulada é de 12.670,57€, não de 17.862,81€.
  • Dedução específica de categoria A: a lei manda usar o maior entre 8,54 × IAS (4.587,09€ em 2026, art. 25.º, n.º 1, al. a) CIRS) e o total das contribuições obrigatórias para regimes de proteção social e para subsistemas legais de saúde, se as ultrapassarem (art. 25.º, n.º 2 CIRS). O simulador só conta a Segurança Social, que aproxima a 11% do salário bruto, a percentagem que num trabalhador por conta de outrem ronda o desconto para a Segurança Social. Por isso, a partir de cerca de 41.700€ de salário bruto anual, a dedução usada deixa de ser fixa e passa a crescer com o salário. Se descontas também para um subsistema legal de saúde, a tua dedução pode deixar de ser fixa mais cedo, e o simulador não o considera.
  • Deduções à coleta fixadas em 250€: é o limite das despesas gerais familiares por contribuinte, aplicado de forma idêntica aos dois cenários. Se tiveres despesas de saúde, educação, habitação, lares de idosos ou PPR (plano de poupança-reforma) a deduzir, o teu IRS sem o regime será mais baixo, e o IRS com o regime só desce se ainda sobrar imposto de onde as abater — por isso a poupança do regime tende a ser menor do que a aqui estimada.
  • Escalões, dedução específica e teto constantes: usa sempre os valores de 2026 (escalões de 8.342€ a 86.634€, com taxas de 12,5% a 48%; teto de isenção de 29.542,15€) para todos os 10 anos simulados. Na prática, a dedução específica e o teto acompanham a atualização anual do IAS, e os escalões podem mudar de um ano para o outro; o desvio pode ser para mais ou para menos, por isso os valores dos anos mais distantes são só uma ideia aproximada, não uma previsão.
  • Taxas gerais do continente: os escalões usados são as taxas gerais do artigo 68.º, n.º 1, do Código do IRS, as que se aplicam no continente, e é para quem reside no continente que valem os valores estimados. Se resides numa Região Autónoma, confirma as taxas da tua região antes de usares estes valores.
  • Sem taxa adicional de solidariedade (artigo 68.º-A do Código do IRS): a lei acrescenta às taxas gerais 2,5% sobre a parte do rendimento coletável entre 80.000€ e 250.000€, e 5% sobre o que passar de 250.000€. O simulador não a aplica. Com a dedução de 11% que usa, isso só conta a partir de cerca de 89.900€ de salário bruto num dos 10 anos; a partir daí, o IRS sem o regime que o simulador mostra fica abaixo do real (com 150.000€ brutos, 1.337,50€ por ano a menos), e o IRS com o regime e a poupança também podem ser diferentes dos reais.
  • Só o IRS: não desconta a Segurança Social ao teu salário (só a usa, a 11%, para calcular a dedução específica) nem quaisquer outras contribuições.
  • Mínimo de existência (art. 70.º CIRS): para proteger os rendimentos mais baixos, a lei abate ao rendimento coletável um montante por mínimo de existência, calculado a partir de um valor de referência que em 2026 é de 12.880€ (o maior entre 12.880€ e 1,5 × 14 × IAS, artigo 70.º, n.º 1). Este simulador aplica-o em cada ano com salário bruto até 16.543,60€ (2,2 × 14 × IAS, o limite acima do qual a lei deixa de o aplicar a quem declara sozinho, n.º 4, alínea a)), com os pressupostos do cenário-base: contribuinte sozinho, só rendimentos de trabalho por conta de outrem, 250€ de deduções à coleta e sem rendimentos tributados a taxas liberatórias acima de 7.519,82€ (14 × IAS, n.º 4, alínea b)). Conta a parte isenta do IRS Jovem nos rendimentos brutos, como manda o n.º 5, alínea a), e aplica o abatimento ao rendimento coletável total, antes de retirar a parte isenta; a Autoridade Tributária não publica um exemplo desta combinação, e uma outra leitura possível mudaria o total dos 10 anos em menos de 80€. Com 12.880€ brutos (14 salários mínimos de 920€) e os 250€ de deduções à coleta, o IRS já é zero sem o regime, e o simulador mostra uma poupança de zero. Acima disso o abatimento vai-se reduzindo à medida que o rendimento sobe e, com a dedução específica de 4.587,09€, anula-se aos 15.910,24€ brutos. O limite superior da fórmula (L, n.º 3) segue o quadro da Autoridade Tributária para os rendimentos de 2025, porque o de 2026 só é publicado no 1.º trimestre de 2027 (n.º 6).
  • Progressão salarial constante: assume uma taxa de crescimento igual todos os anos, o que raramente corresponde à realidade (promoções, mudanças de emprego ou anos sem aumento tendem a ser irregulares).
  • Arredondamentos: o cálculo é feito sem arredondamentos intermédios. O apuramento oficial pode arredondar valores intermédios, pelo que podem existir diferenças de alguns cêntimos face ao valor oficial, além das que resultam das simplificações acima.

A tendência (isenção maior nos primeiros anos, menor nos últimos, teto a morder nos salários mais altos) é mais fiável do que os euros exatos de cada ano.

Proposta em discussão: taxas dos primeiros escalões

A 17 de setembro de 2026, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei para reduzir as taxas normais dos seis primeiros escalões — 12,20% no 1.º (era 12,50%), 15,20% no 2.º (era 15,70%), 20,70% no 3.º (era 21,20%), 23,60% no 4.º (era 24,10%), 30,60% no 5.º (era 31,10%) e 34,60% no 6.º (era 34,90%) —, mantendo os limites de rendimento de cada escalão e as taxas do 7.º ao 9.º. Segundo a exposição de motivos da proposta, a redução aplicar-se-ia já aos rendimentos obtidos em 2026. A proposta (Proposta de Lei n.º 108/XVII/2, que autoriza o Governo a alterar o artigo 68.º do Código do IRS) deu entrada na Assembleia da República a 21 de setembro e, a 25 de setembro de 2026, ainda não tinha sido votada nem publicada em Diário da República; por isso, este simulador usa as taxas em vigor. Se for aprovada nos termos propostos, os euros deste simulador mudam: onde há imposto a pagar sem o regime, esse imposto desce, e a poupança estimada desce com ele. O método de cálculo e o teto de 29.542,15€ mantêm-se.

Quatro coisas a fazer com este resultado

  1. Assinala a opção todos os anos. O acesso ao regime faz-se mediante opção na declaração de rendimentos, a exercer anualmente — não é automático nem fica marcado de um ano para o outro. Em categoria A, a opção assinala-se no Quadro 4F.1 do Anexo A, o quadro criado para o regime em vigor desde 2025. Segundo a Autoridade Tributária, a percentagem que te cabe é a do ano de obtenção de rendimentos em que estás, e não a do número de vezes que já usaste o benefício. Se pensas deixar de optar num ano para guardar uma percentagem mais alta para mais tarde, confirma antes o efeito junto da Autoridade Tributária.
  2. Confirma em que ano do regime estás. O simulador parte sempre do 1.º ano. Se já tens anos de obtenção de rendimentos decorridos, como quem já trabalhava antes de 2025 (vê a pergunta frequente sobre isso, mais abaixo), o total dos 10 anos não é o teu: indica o teu salário atual, põe a progressão salarial a 0% e lê, na tabela, a linha com o número do ano em que realmente estás (por exemplo, «Ano 4»); o ano civil entre parênteses só corresponde ao teu se, em «Opções avançadas», indicares o ano civil do teu 1.º ano do regime. Confirma também que ainda tens 35 anos ou menos, a 31 de dezembro, nos anos que contas somar.
  3. Avisa quem te paga, se queres a poupança já no ordenado. A isenção não aparece sozinha no recibo de vencimento: tens de invocar o regime junto da entidade patronal e informá-la do ano de obtenção de rendimentos em que estás, para ela saber que percentagem aplicar (artigo 99.º-F, n.º 5, do Código do IRS). Recebida essa informação, a entidade apura a taxa de retenção correspondente à totalidade do rendimento, isento incluído, e aplica-a só à parte que não está isenta (n.º 4 do mesmo artigo). Não há modelo oficial: segundo a Autoridade Tributária, pode ser comunicada por email. Se não avisares, a entidade retém como se não houvesse isenção nenhuma, e recuperas a diferença de uma vez no acerto da declaração, no ano seguinte, desde que assinales a opção (ponto 1). O ajuste da retenção no recibo está previsto para a categoria A (artigo 99.º-F). Em categoria B, a retenção segue as taxas fixas do artigo 101.º, que não preveem esse ajuste, pelo que, em regra, a poupança só chega no acerto da declaração.
  4. Com dois empregadores, pode haver um acerto a pagar. Na retenção mensal, a parte isenta tem um limite calculado a partir do teto do IRS Jovem dividido por 14 (n.º 5, alínea g), do Despacho n.º 233-A/2026, de 6 de janeiro, que aprova as tabelas de retenção do continente), e a Autoridade Tributária, nos casos práticos do seu folheto, aplica-o como limite de cada mês (no folheto, com os valores de 2025: 28.737,50€ ÷ 14 = 2.052,68€; em 2026, com o teto de 29.542,15€, são 2.110,15€). Cada entidade calcula a retenção só sobre o que paga, sem olhar ao que a outra paga (caso prático 3.4 do mesmo folheto), por isso o total isento na retenção ao longo do ano pode ficar acima do que a lei permite isentar. O teto anual é um só e é apurado na declaração: ou guardas a diferença, ou pedes a uma das entidades que retenha por uma taxa inteira superior à legal, que é uma faculdade tua (artigo 98.º, n.º 6, do Código do IRS).

Fontes

Consultadas em setembro e outubro de 2026. As ligações apontam para a versão em vigor à data; confirma sempre a versão mais recente antes de decidires.

  • Código do IRS, texto consolidado publicado pela Autoridade Tributária: artigo 12.º-B, IRS Jovem, na redação da Lei n.º 45-A/2024, com a norma transitória do artigo 116.º, n.º 2, dessa lei (art. 12.º-B); artigo 12.º-A, regime dos ex-residentes (art. 12.º-A); artigo 13.º, sujeito passivo e dependentes (art. 13.º); artigo 22.º, englobamento (art. 22.º); artigo 25.º, dedução específica (art. 25.º); artigo 68.º, taxas gerais, na redação da Lei n.º 73-A/2025 (art. 68.º); artigo 68.º-A, taxa adicional de solidariedade (art. 68.º-A); artigo 58.º, dispensa de entrega da declaração (art. 58.º); artigo 70.º, mínimo de existência (art. 70.º); artigo 78.º-B, despesas gerais familiares (art. 78.º-B); artigos 98.º e 99.º-F, retenção na fonte (art. 98.º, art. 99.º-F, art. 101.º)
  • Estatuto dos Benefícios Fiscais, artigo 58.º-A — Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (IFICI)
  • Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro — valor do IAS para 2026, 537,13€ (Diário da República)
  • Despacho n.º 233-A/2026, de 6 de janeiro — tabelas de retenção na fonte do continente para 2026, incluindo o limite mensal da parte isenta do IRS Jovem (n.º 5, alínea g)) e, no preâmbulo, o mínimo de existência de 12.880€ e a retribuição mínima mensal garantida de 920€ em 2026 (Diário da República)
  • Autoridade Tributária, «Deduções, benefícios fiscais e taxas» dos rendimentos de 2025 — quadro do mínimo de existência (variáveis e fórmulas simplificadas, artigo 70.º, n.º 6), onde a Autoridade Tributária escreve a fórmula de L e o exemplo 13.863,06€ (portaldasfinancas.gov.pt)
  • Autoridade Tributária, folheto informativo «IRS Jovem», edição de abril de 2026 — contagem dos anos, casos práticos e cálculo da retenção pela entidade patronal (portaldasfinancas.gov.pt)
  • Autoridade Tributária, Ofício-Circulado n.º 20291/2026, de 17 de março — declaração Modelo 3 em vigor a partir de 2026, incluindo o Quadro 4F.1 do Anexo A (portaldasfinancas.gov.pt)
  • gov.pt — taxas contributivas para a Segurança Social do trabalhador por conta de outrem, 11% a cargo do trabalhador (gov.pt)
  • Proposta de Lei n.º 108/XVII/2 — redução das taxas gerais dos seis primeiros escalões, aprovada em Conselho de Ministros a 17 de setembro de 2026; ficha da iniciativa e texto da proposta (parlamento.pt)

Perguntas frequentes

Desde 2025. A versão atual do regime — sem exigência de grau académico, até aos 35 anos, com isenção ao longo de 10 anos — entrou em vigor em 2025 (Lei n.º 45-A/2024, Orçamento do Estado para 2025). O Orçamento do Estado para 2026 não mexeu no artigo 12.º-B do Código do IRS, que continua com essa redação. Em 2026 mudam os valores em euros que dependem do IAS (Indexante dos Apoios Sociais, o valor de referência que o Estado atualiza todos os anos), como o teto de isenção, e a tabela geral de escalões do artigo 68.º, que entra no cálculo do imposto e foi atualizada pelo próprio Orçamento (Lei n.º 73-A/2025).

100% no 1.º ano, 75% do 2.º ao 4.º ano, 50% do 5.º ao 7.º ano, e 25% do 8.º ao 10.º ano. Passados os 10 anos, o regime termina e o rendimento passa a ser tributado na totalidade. Termina mais cedo se, a 31 de dezembro de um desses anos, já tiveres mais de 35 anos de idade.

Sim. A isenção nunca ultrapassa 55 vezes o valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS) num ano — em 2026, 29.542,15€. A percentagem do ano aplica-se ao rendimento bruto; se o resultado for superior ao teto, vale o teto. Com 45.000€ brutos no 3.º ano do regime, por exemplo, os 33.750€ que os 75% nominais dariam ficam limitados a 29.542,15€ de rendimento isento. Não é um limite de elegibilidade: podes ganhar muito mais do que 29.542,15€ e continuar dentro do regime.

Porque a isenção reduz o rendimento tributado, não o imposto. A percentagem aplica-se ao salário bruto, mas o imposto calcula-se sobre o rendimento coletável (o bruto menos a dedução específica), e os 250€ de deduções à coleta abatem-se por inteiro nos dois cenários. O rendimento isento continua a contar para determinar a taxa aplicável ao rendimento que sobra — é a regra do artigo 12.º-B n.º 4, conjugado com o artigo 22.º n.º 4 do Código do IRS (a que a lei chama englobamento) —, por isso a coleta desce na proporção do rendimento isento sobre o rendimento coletável. O efeito vai nos dois sentidos: enquanto o teto não limita a isenção, e havendo imposto a pagar sem o regime, a poupança de um ano de 75%, 50% ou 25% fica acima dessa percentagem (com 30.000€ brutos num ano de 75%, o IRS desce cerca de 93%, e nos salários mais baixos chega a zero); quando o teto limita muito a isenção, fica abaixo — para um solteiro em categoria A, com os valores de 2026, a partir de cerca de 35.300€ brutos num ano de 100%, 45.400€ num de 75%, 67.300€ num de 50% e 133.500€ num de 25%.

Trabalhadores até aos 35 anos (idade aferida a 31 de dezembro do ano de obtenção do rendimento), com rendimentos de categoria A (trabalho por conta de outrem) ou B (trabalho independente), que ainda estejam dentro dos 10 primeiros anos de obtenção desses rendimentos como sujeito passivo — contados desde o primeiro ano, mesmo que seja anterior a 2025 (vê a pergunta seguinte) —, que não sejam considerados dependentes de um agregado familiar e não beneficiem nem tenham beneficiado do regime do Residente Não Habitual (RNH, o antigo regime fiscal para novos residentes) nem do IFICI (o incentivo fiscal à investigação científica e inovação, art. 58.º-A do Estatuto dos Benefícios Fiscais). Fica também de fora quem optou pelo regime dos ex-residentes (art. 12.º-A CIRS) e quem não tenha a situação tributária regularizada. Não há exigência de grau académico. O benefício não é automático: o acesso faz-se mediante opção na declaração de rendimentos, a exercer anualmente.

Provavelmente não no 1.º. Segundo a Autoridade Tributária, o relógio dos 10 anos começa no primeiro ano em que obtiveste rendimentos das categorias A ou B como sujeito passivo (e não como dependente) e avança em cada ano em que obténs esses rendimentos, tenhas ou não optado pelo IRS Jovem nesse ano — incluindo os anos anteriores a 2025, em que o regime atual ainda não existia. Não avança nos anos sem rendimentos dessas categorias (art. 12.º-B, n.º 3, alínea b), do CIRS), nos anos em que foste considerado dependente de um agregado familiar (art. 13.º do CIRS) nem nos anos em que estiveste dispensado de entregar a declaração de rendimentos (art. 58.º do CIRS). A norma de transição diz que te enquadras "na alínea que corresponda ao ano subsequente ao número de anos de obtenção de rendimentos das categorias A ou B já decorridos" (art. 116.º, n.º 2, da Lei n.º 45-A/2024). Exemplo da própria Autoridade Tributária: quem obteve e declarou rendimentos como sujeito passivo em todos os anos de 2018 a 2024 (7 anos decorridos), sem nenhum ano como dependente, sem rendimentos ou dispensado da declaração, e tinha 30 anos a 31/12/2025, está em 2025 no 8.º ano — 25% de isenção se optar por ela, não 100%. Como o simulador assume que estás no 1.º ano, começa por descobrir o teu ano real: com historiais irregulares, confirma-o com um contabilista certificado ou junto da Autoridade Tributária.

Não. Por simplicidade, o simulador mantém constantes os escalões de IRS, a dedução específica e o teto de isenção de 2026 ao longo de todo o período simulado. Na prática, a dedução específica e o teto dependem do IAS, que é atualizado todos os anos, e os escalões podem mudar de um ano para o outro, pelo que os valores reais de poupança vão ser diferentes dos que aqui se estimam, para mais ou para menos.