Simuladores e comparadores gratuitos · atualizados para 2026
simulador

Simulador de Despesas Irregulares

Quanto pôr de lado todos os meses para o seguro, o IMI, as férias e o Natal — e como o saldo dessa conta se comporta ao longo do ano

Há despesas que sabes que vêm, só que não vêm todos os meses: o seguro do carro, o IMI (o imposto anual sobre a propriedade de um imóvel), a inspeção, as férias, o material escolar, o Natal. Somadas dão um valor anual, e esse valor dividido por 12 é o que devias pôr de lado todos os meses numa conta só para isto. O que este simulador mostra, e que uma média mensal não mostra, é o resto da história: como é que o saldo dessa conta sobe e desce ao longo do ano, em que mês fica mais apertado, e quanto precisas de ter hoje para aguentar até lá. O cálculo corre inteiramente no teu browser — nada do que escreves sai do teu computador.

As tuas despesas irregulares

Uma linha por despesa: o que gastas com ela num ano inteiro, e os meses em que a pagas.

As despesas abaixo são um exemplo (o calendário do guia sobre orçamento de dezembro) — substitui pelas tuas assim que começares a editar.

Onde estás hoje

A projeção arranca no mês que escolheres, ainda antes da transferência e das despesas desse mês.

Aritmética simples: total anual a dividir por 12, e um saldo acumulado mês a mês. Não conta juros, inflação nem rendimento do dinheiro guardado. Ver a nota metodológica logo abaixo.

A transferir todos os meses
Ponto mais apertado do ano

Preenche as tuas despesas à esquerda para veres o ano completo.

Saldo da conta, mês a mês

O que vem a seguir

Almofada de partida
Total anual destas despesas
Mês com mais despesas
Saldo mais alto do ano
Saldo daqui a 12 meses

O valor mensal é sempre o mesmo, tenha esse mês despesas ou não — é essa constância que faz a conta aguentar os meses caros.

O ano inteiro, mês a mês

É aqui que o plano deixa de ser uma média e passa a ser um calendário. Em cada mês entra sempre o mesmo valor, sai o que estiver marcado no calendário, e o saldo que fica é aquele com que entras no mês seguinte. Repara em como o saldo sobe durante os meses calmos precisamente para poder cair nos meses caros — e como, ao fim de doze meses, acaba exatamente onde começou.

Projeção da conta de despesas irregulares ao longo de 12 meses
MêsEntraSaiSaldo no fim do mês

Neste ecrã, a coluna do que entra está escondida para caber o saldo: é sempre o mesmo valor, todos os meses.

nota metodológica

Este simulador não aplica nenhuma fórmula legal nem tabela oficial — é aritmética, e é deliberadamente simples. O valor mensal é o total anual das despesas que inseriste a dividir exatamente por 12. Cada despesa é repartida em partes iguais pelos meses que ligares: um IMI de 150 € pago em maio e novembro conta 75 € em cada um desses meses. Se as tuas prestações forem desiguais, insere-as como despesas separadas. Dentro de cada mês, a projeção assume que a transferência entra antes de a despesa sair; se no teu caso a despesa é debitada antes de receberes o salário, o saldo desse mês passa brevemente abaixo do que aqui aparece. Os valores da tabela estão arredondados ao cêntimo para leitura, mas o cálculo corre sem arredondamentos, pelo que somar a coluna à mão pode dar um cêntimo de diferença. Não entram juros, rendimento do dinheiro guardado, inflação, nem qualquer atualização automática dos valores de um ano para o outro.

o que este simulador não sabe por ti

O resultado é tão bom quanto a lista que lhe deres, e a lista é a parte difícil. As despesas que mais desequilibram um orçamento não são as que ficam esquecidas por serem grandes — são as que ficam esquecidas por serem anuais: a anuidade do cartão, a renovação do seguro de saúde, uma quota extraordinária do condomínio, a revisão do carro, o IUC, os aniversários todos do ano, o dentista. Antes de confiares no número que sai daqui, abre os extratos bancários dos últimos doze meses e passa os olhos mês a mês: quase toda a gente encontra duas ou três despesas que não tinha na cabeça. E quando o valor mensal sair, arredonda-o para cima — 196 € por mês transformam-se em 200 € sem custo nenhum, e essa diferença é a margem para o que ficou de fora.

Como funciona o cálculo

Primeiro, o simulador soma tudo o que gastas por ano em despesas que não são mensais e divide esse total por 12. É esse o valor a transferir para a conta dedicada, todos os meses, incluindo nos meses em que não há despesa nenhuma à vista — sobretudo nesses, aliás, porque é aí que a conta acumula o que vai precisar mais à frente.

Depois, corre os doze meses seguintes um a um, a partir do mês em que estás. Cada mês começa com o saldo que sobrou do anterior, recebe a transferência, e paga as despesas marcadas nesse mês. O que fica é o saldo de abertura do mês seguinte. Como aquilo que entra ao longo de doze meses é exatamente igual àquilo que sai, o saldo ao fim de um ano completo volta ao valor de partida: o que sobe no inverno é o que desce no verão.

Por fim, o simulador procura o mês em que o saldo fica mais baixo. Se esse mínimo for negativo, significa que em algum momento do ano a conta não tem lá o dinheiro da despesa que chegou — e isso acontece com muita frequência a quem começa o plano a meio do ano, porque não há valor mensal que apanhe doze meses de despesas em três ou quatro. Nesse caso, o simulador calcula a almofada em falta — o mínimo exato que faz o ano inteiro fechar sem nenhum mês abaixo de zero — e mostra as duas maneiras de a juntar: pô-la na conta de uma só vez, ou dividi-la pelos meses que ainda faltam até ao primeiro aperto. As duas somam o mesmo dinheiro; muda só o ritmo. Quando o aperto é logo no mês em que estás, não há meses para dividir, e o simulador di-lo em vez de inventar uma prestação que não chegaria a tempo.

Perguntas frequentes

É uma conta (ou um cofre dentro da tua conta, ou uma linha numa folha de cálculo) onde pões todos os meses o mesmo valor, destinado só às despesas que sabes que vêm mas não vêm todos os meses: seguro do carro, IMI, inspeção, férias, material escolar, Natal. Em inglês chama-se sinking fund. A ideia é que, quando a despesa chega, o dinheiro já lá está há meses.

Não, e convém não misturar os dois. O fundo de emergência é para o que não se prevê: perder o emprego, uma avaria grande, uma despesa de saúde inesperada. A conta de despesas irregulares é para o que se prevê perfeitamente, só que não acontece todos os meses. Se usares o fundo de emergência para pagar o Natal, ficas sem fundo de emergência — e o Natal não era uma emergência.

Porque é essa a função da conta. O valor mensal entra sempre, mas nos meses em que uma despesa acontece o dinheiro sai para a pagar. O saldo sobe nos meses calmos precisamente para poder descer nos meses caros. Ao fim de doze meses volta ao ponto onde começou, porque aquilo que entra durante o ano é exatamente igual àquilo que sai.

Provavelmente não. Isso acontece quando começas o plano a meio do ano, com pouco ou nada guardado, e as despesas maiores caem logo nos meses seguintes — não há valor mensal que apanhe doze meses de despesas em três. O simulador mostra-te as duas saídas: quanto precisavas de ter hoje na conta para atravessar o ano, ou quanto terias de transferir a mais por mês, e durante quantos meses, até o plano se equilibrar. Se o aperto for já no mês em que estás, não há meses para diluir nada, e o simulador diz-to em vez de inventar uma prestação que não chegaria a tempo.

Depende do valor. Até 100 €, paga-se de uma vez, em maio. Acima de 100 € e até 500 €, em duas prestações iguais, em maio e em novembro. Acima de 500 €, em três prestações iguais, em maio, agosto e novembro (art. 120.º do Código do IMI). No simulador, escreve o valor anual do IMI e liga os meses que te dizem respeito — a divisão pelas prestações é feita automaticamente.

O IUC está a mudar de regra. Até ao fim de 2026, vence-se no mês da matrícula do veículo — por isso o teu mês depende do teu carro. A partir de 2027 (Decreto-Lei n.º 161/2026), passa a vencer-se em abril (até 100€), abril e outubro (entre 100€ e 500€), ou abril, julho e outubro (acima de 500€) — com uma regra transitória só para 2027. Como este simulador projeta 12 meses para a frente, se a tua projeção atravessar a virada do ano confirma no Portal das Finanças qual das duas regras se aplica ao teu caso antes de escolheres o mês.

Num sítio onde ele esteja disponível no dia em que a despesa chegar, e sem risco de valer menos nessa altura do que vale hoje: conta separada, conta remunerada com liquidez, ou depósito a prazo curto que termine antes da despesa. Nada de produtos com risco de mercado — este dinheiro tem data marcada e um destino já conhecido. O comparador de poupança sem risco ajuda a escolher.

Usa o que gastaste mesmo no ano passado, não o que achas que gastaste — a diferença costuma ser grande, sobretudo no Natal e nas férias. Depois, refaz a conta uma vez por ano, em janeiro, com os valores reais do ano que acabou. Se sobrar dinheiro na conta no fim do ano, não é um erro: é a margem do ano seguinte.