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Quanto custa mesmo a tua corretora

11 min de leitura · atualizado 2026

resumo em 60 segundos

"Comissão zero" é a frase mais usada em publicidade de corretoras, e também a mais incompleta. O custo real soma comissão, spread de câmbio, custódia, taxa de inatividade e — algo raramente mencionado — a forma como a corretora ganha dinheiro nos bastidores. Até meados de 2026 essa forma incluía, nalguns casos, pagamento por fluxo de ordens (PFOF); desde 30 de junho de 2026 essa prática está proibida em toda a União Europeia (artigo 39.º-A do MiFIR), o que já está a mudar o modelo de negócio das corretoras de "comissão zero" — o custo não desaparece, muda de sítio. Para investimentos mensais pequenos, corretoras sem comissão fixa (Trading 212, XTB) continuam a poupar-te dezenas de euros por ano face a corretoras com tarifa por operação (DEGIRO, Trade Republic); para património maior ou operações mais frequentes, os fatores decisivos mudam — juro sobre saldo não investido, custo de câmbio e condições de transferência de saída passam a pesar mais do que a comissão em si.

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"Comissão zero" é a frase mais usada em publicidade de corretoras — e também a mais enganadora, quando fica sozinha. Uma comissão de 0€ por ordem pode esconder um spread de câmbio de 0,5% que, em compras frequentes, acaba por custar mais do que uma comissão fixa de 1-2€. O custo real de uma corretora nunca é um único número — é a soma de vários, e alguns deles só aparecem depois de já teres conta aberta, ou nunca aparecem de todo, escondidos na forma como a corretora ganha dinheiro contigo.

As peças do custo total

Comparação das corretoras mais usadas em Portugal

Comparação das corretoras mais usadas em Portugal
CorretoraComissão ações/ETFCâmbioInatividade
Trading 2120%, sem limite de volumeVariável, sem comissão de conversão explícita na maioria dos casosSem taxa de inatividade
XTB0% até 100.000€/mês; acima, 0,2% (mín. 10€)0,5% (até 0,8% em fins de semana/feriados)10€/mês, só após 12 meses sem operações E 90 dias sem depósito
DEGIRO2€ (1€ + 1€ manuseamento) em Portugal, EUA e Canadá; ~4,90€ (3,90€ + 1€) em Euronext Amesterdão/Paris/Xetra e outras bolsas europeias0,25%Sem taxa de inatividade
Interactive BrokersAções europeias (plano Tiered): 0,05% (mín. 1,25€, máx. 29€); EUA: a partir de $0,0035/ação (mín. $0,35)Entre as mais baixas do mercado (execução direta via IdealPro, sem margem escondida relevante)Eliminada desde 2021
Trade Republic1€ por ordem "Best Price"; 2€ se escolheres bolsa específica ("Direct Price")Spread embutido na cotação, não publicado como percentagem fixaSem taxa de inatividade nem custódia

Valores de referência de setembro de 2026, indicativos e sujeitos a alteração pelas corretoras — confirma sempre as condições atualizadas no site oficial antes de abrires conta.

Exemplo real — 200€/mês durante um ano, em ETF europeu

Números abstratos (percentagens) escondem o que realmente importa: euros concretos. Imagina que investes 200€ todos os meses, durante um ano, num ETF cotado em bolsa europeia (Euronext, por exemplo), sem necessidade de câmbio:

Exemplo real — 200€/mês durante um ano, em ETF europeu
CorretoraCusto total no ano (12 operações)
Trading 212 / XTB0€
Interactive Brokers15€ (mínimo de 1,25€ por ordem, já que 0,05% de 200€ fica abaixo do mínimo)
DEGIRO58,80€ (4,90€ por operação em Euronext)

Sobre 2.400€ investidos ao longo do ano, os 58,80€ da DEGIRO representam 2,45% do valor investido só em comissões — antes de qualquer TER de ETF ou outro custo. Para este perfil concreto (contribuições mensais pequenas e regulares), a diferença entre corretoras de comissão zero e corretoras de tarifa fixa por operação é real e mensurável, não uma abstração teórica. Se este ETF for de distribuição, cada reinvestimento manual dos dividendos recebidos é também uma operação sujeita a estas mesmas comissões — mais uma razão para leres acumulação ou distribuição? antes de escolheres o produto concreto.

Exemplo real — o custo escondido do câmbio, numa compra pontual de 5.000€

O exemplo anterior evitou câmbio de propósito, para isolar o efeito da comissão. Mas grande parte do que os portugueses compram — ações americanas, ETF cotados em USD, ou mesmo alguns ETF UCITS com classe de ações em dólares — implica converter euros. Aqui o spread de câmbio pesa muito mais do que a comissão de bolsa:

Custo de converter 5.000€ para USD, por corretora
CorretoraSpread de câmbioCusto da conversão
Interactive Brokers≈ 0,002%–0,005% (execução direta no mercado interbancário via IdealPro)≈ 0,10€–0,25€
DEGIRO0,25%12,50€
XTB0,5%25€
o efeito composto do câmbio em dividendos recorrentes

Se compras uma ação ou ETF que paga dividendos em USD, cada pagamento de dividendo sofre outra vez o mesmo spread de câmbio na conversão para euros — não é um custo único na compra, repete-se todos os trimestres ou semestres em que recebes dividendo, durante todos os anos em que mantiveres a posição. Numa carteira com vários pagamentos anuais em moeda estrangeira, ao fim de 20 ou 30 anos, a diferença entre um spread de 0,05% e um de 0,5% acumulada dividendo a dividendo pode superar largamente a diferença de comissões de compra que costuma receber toda a atenção.

Como a corretora ganha dinheiro quando não cobra comissão

Se uma corretora não cobra comissão nem custódia, é legítimo perguntar: como é que ela sobrevive? Historicamente, uma das respostas mais comuns era o pagamento por fluxo de ordens (PFOF, na sigla inglesa) — um modelo em que a corretora recebe pagamento de empresas de "market making" para direcionar as ordens dos clientes para essas mesmas empresas, em vez de as levar diretamente ao mercado mais competitivo. Os market makers lucravam ao executar as ordens com uma pequena margem, partilhando parte desse lucro com a corretora — o que não significava necessariamente um preço muito pior em cada operação individual, mas significava que a "comissão zero" nunca foi, de facto, gratuita: o custo estava embutido na qualidade de execução, de forma menos visível do que uma comissão explícita.

isto mudou em 2026 — e vale a pena perceberes porquê

Desde 30 de junho de 2026, o pagamento por fluxo de ordens está proibido em toda a União Europeia, ao abrigo do artigo 39.º-A do MiFIR (Regulamento dos Mercados de Instrumentos Financeiros) — a Alemanha foi o último Estado-membro a manter uma exceção transitória, que expirou nessa data. A maioria dos países onde as corretoras deste guia estão sediadas ou passaportadas (Países Baixos, França, Espanha, entre outros) já tinha proibido ou nunca adotado esta prática antes disso. Isto não elimina o custo — desloca-o: corretoras que dependiam de PFOF para sustentar comissão zero tiveram de encontrar outras fontes de receita, como spreads de câmbio, subscrições mensais, comissões diretas, ou plataformas de negociação próprias (a Trade Republic, por exemplo, passou a operar o seu próprio sistema de negociação multilateral, licenciado pelo regulador alemão BaFin). A lição prática: se uma corretora continua a anunciar "comissão zero" depois de meados de 2026, vale a pena perguntar explicitamente onde é que ela ganha dinheiro agora — a resposta mudou nos últimos meses para várias plataformas.

A DEGIRO, por sua vez, posicionou-se desde sempre como não usando pagamento por fluxo de ordens, argumentando oferecer uma estrutura de preços mais transparente — o que ajuda a explicar porque sempre cobrou comissões diretas em vez de "comissão zero" aparente. Vale ainda a pena teres presente uma fonte de receita menos falada, que nenhuma corretora depende exclusivamente dela mas que quase todas usam nalguma medida: o rendimento sobre o saldo dos clientes ("float") — o dinheiro parado nas contas, mesmo em trânsito entre operações, pode ser aplicado pela corretora em fundos do mercado monetário ou depósitos overnight, gerando-lhe receita própria mesmo quando parte desse rendimento é devolvida a ti sob a forma do juro que vais ver a seguir.

Juro sobre saldo não investido — uma diferença real entre corretoras

Enquanto o teu dinheiro está na corretora mas ainda não investido, algumas pagam juro sobre esse saldo, outras não — e as que pagam têm condições bem diferentes:

Juro sobre saldo não investido — uma diferença real entre corretoras
CorretoraPaga juro sobre saldo não investido?Condições
Trade RepublicSim, automático3,00% TANB até 50.000€ para novos clientes; 2,25% TANB acima disso e para clientes existentes; sujeito a retenção de 28% se residente fiscal em Portugal
XTBSim, automático2,30%/ano em EUR nos primeiros 90 dias (até 100.000€), depois 0,90%/ano; sem mínimo
Trading 212Sim≈2,4% ao ano em EUR (taxa variável, ajustada com regularidade), via alocação a fundos do mercado monetário; sem retenção automática de IRS português
Interactive BrokersSim, mas com mínimoSó acima de 10.000€/USD — abaixo disso, juro zero
DEGIRONãoConfirmado pela própria DEGIRO nas suas perguntas frequentes
exemplo calculado — o custo de deixar 10.000€ parados um ano à espera de investir

Imagina que juntaste 10.000€ para investir, mas preferes fasear a entrada ao longo do ano (ver investir tudo de uma vez ou aos poucos) e por isso o dinheiro fica parcialmente por investir durante meses. Numa corretora sem juro (DEGIRO), esse dinheiro gera 0€. Na Trade Republic (3% TANB, novos clientes), gera 300€ brutos ao ano — menos a retenção de 28% de IRS sobre juros em Portugal, ≈216€ líquidos. Ao longo de um ano de entradas faseadas, esta diferença por si só pode compensar, com folga, qualquer comissão de compra que venhas a pagar depois. A conclusão prática: se vais manter dinheiro parado por semanas ou meses antes de investir, o juro sobre saldo pode pesar mais na tua decisão de corretora do que a comissão por operação.

um detalhe fiscal que muita gente ignora

Se a corretora não retiver automaticamente o imposto sobre estes juros (como pode acontecer com a Trading 212, sem sucursal portuguesa), a responsabilidade de declarares esse rendimento no Anexo J é tua — não assumas que "se não vi retenção, não há imposto a pagar". Consulta o guia de declarar investimentos no IRS para perceberes melhor esta obrigação, e o de englobar ou ficar pela taxa autónoma para veres se compensa englobar este rendimento no teu caso.

Sistemas de indemnização — a proteção varia bastante

Já vimos isto em detalhe no guia do ETF do zero, mas vale a pena o resumo aqui também: a proteção em caso de falência (não de perdas de mercado — isso nenhum sistema cobre) depende do país onde a corretora está legalmente sedeada, não de onde tu vives nem de onde a marca "parece" operar:

Sistemas de indemnização a investidores, por país de sede legal
País / sistemaCoberturaExemplo de corretora abrangida
Portugal — SIIAté 25.000€Corretoras com sede ou sucursal registada em Portugal
Irlanda — ICS90% da perda líquida, até um máximo de 20.000€Interactive Brokers Ireland Limited
Reino Unido — FSCSAté 120.000 libras (subiu de 85.000 libras a 1 de dezembro de 2025)Entidades autorizadas pela FCA
Polónia — KDPW100% até 3.000€, mais 90% do excedente, até um máximo total de 20.100€XTB S.A.

Repara em dois detalhes que se perdem facilmente numa leitura rápida: a proteção irlandesa e a polaca não cobrem 100% do valor até ao teto — cobrem uma percentagem da perda, o que na prática pode significar receberes menos do que o teto nominal se a tua perda for parcialmente coberta a 90%. E o teto britânico subiu recentemente — se leste sobre isto há uns anos, o número que guardaste na memória (85.000 libras) já não é o atual. Não assumas que todas as corretoras europeias têm exatamente a mesma proteção só por operarem "na Europa" — confirma sempre o país de sede legal da entidade concreta que abre a tua conta (não da marca comercial), normalmente identificável nos termos e condições ou na página de regulação do site.

Transferência de saída — o custo de mudares de ideias mais tarde

Se um dia quiseres mudar de corretora, o custo (ou ausência de custo) de transferir a tua carteira existente é relevante. A Trading 212, por exemplo, não cobra qualquer taxa por transferências de carteira, tanto na entrada como na saída, com o processo tipicamente concluído em cerca de 30 dias — um diferenciador real em termos de portabilidade. Nem todas as corretoras documentam claramente esta condição; antes de investires um valor significativo numa corretora, vale a pena perceberes também quanto custaria sair dela, não só entrar.

Banco tradicional ou corretora especializada — o conflito de interesse que raramente se explica

Se já tens conta num banco tradicional português, é natural pensares em investir através dele, por comodidade — tudo no mesmo sítio, sem abrir conta nova nem transferir dinheiro para fora. Mas há um mecanismo pouco falado que vale a pena perceberes antes de decidires: quando um banco te vende um fundo de investimento, um PPR, ou um seguro de capitalização, o banco recebe tipicamente uma parte da comissão de gestão desse produto, de forma contínua, enquanto o mantiveres — a chamada retrocessão de comissões. Esta prática é legal e obrigatoriamente divulgada ao abrigo da diretiva europeia DMIF II (MiFID II), mas raramente é comunicada de forma clara ao cliente comum.

a ordem de grandeza real, segundo documentos de divulgação DMIF II

Documentos de informação de custos e encargos que os bancos portugueses são obrigados a publicar ao abrigo da DMIF II mostram retrocessões tipicamente entre 50% e 80% da comissão de gestão anual de fundos, PPR e produtos unit linked comercializados ao balcão — a percentagem exata varia por banco, por produto e por ano, por isso confirma sempre no documento específico do produto que estás a avaliar, disponível na página de custos e encargos do banco em causa. Como ordem de grandeza: se pagas um TER de 1,5% ao ano num fundo, e a retrocessão for de 70%, o banco que to vendeu está a receber cerca de 1,05€ de cada 1,50€ que pagas anualmente — um incentivo estrutural para te venderem os produtos que mais lhes pagam a eles, não necessariamente os mais baratos ou mais adequados a ti.

Isto não significa que produtos vendidos por bancos sejam sempre maus, nem que devas evitá-los sempre — mas significa que o vendedor (o gestor de conta do banco) tem um incentivo financeiro direto que não está necessariamente alinhado com o teu interesse de pagares o menos possível em comissões. Corretoras especializadas como as que comparámos acima não têm, tipicamente, esta mesma estrutura de retrocessão sobre os ETF que compras através delas — o modelo de negócio delas assenta nas comissões, spreads ou juro sobre saldo que já discutimos, não em receberem uma fatia da tua comissão de gestão continuamente.

Fracionamento de ações — uma funcionalidade que muda o que "consegues comprar"

Algumas corretoras (a Trading 212 é um exemplo comum) permitem comprares frações de uma ação, não a ação inteira. Isto é particularmente relevante para ações caras — se uma ação vale 800€ e só queres investir 100€, uma corretora sem fracionamento obriga-te a esperar juntar 800€ ou a não investires nessa empresa de todo; com fracionamento, investes os 100€ diretamente, ficando com 0,125 de uma ação. Nem todas as corretoras oferecem isto, e nem todos os ativos são elegíveis para fracionamento mesmo nas que oferecem — vale a pena confirmar se os ETF ou ações específicas que queres comprar são fracionáveis na corretora que escolheres. E se estiveres a considerar comprar ações individuais em vez de (ou além de) ETF, analisa bem o negócio antes de escolheres qual.

Planos de investimento automático — poupas tempo, mas confirma os custos

Muitas corretoras oferecem hoje planos de investimento automático (auto-invest): defines um valor e uma periodicidade, e a corretora executa a compra sozinha, sem precisares de entrar na aplicação todos os meses. Isto reduz a fricção comportamental de investires regularmente (lembra-te do que vimos no guia dos vieses que te custam dinheiro sobre desconto hiperbólico — automatizar retira a decisão mensal do caminho). Mas confirma sempre se estes planos automáticos têm exatamente as mesmas condições de comissão das compras manuais — nalguns casos histórico, planos automáticos tiveram condições diferentes (melhores ou piores) das operações pontuais, por isso não assumas que são sempre idênticos sem verificares.

Apoio ao cliente em português — um custo de tempo, não de dinheiro

Corretoras com sucursal ou operação dedicada em Portugal (como a XTB) costumam oferecer apoio ao cliente em português europeu, por telefone ou chat, o que pode fazer diferença real se tiveres um problema urgente com a tua conta. Corretoras sem presença local costumam ter apoio só em inglês (ou noutras línguas), por email ou chat, com tempos de resposta que podem ser mais longos. Isto não é um custo em euros, mas é um custo real em tempo e frustração se algo correr mal numa altura sensível — vale a pena pesar este fator, sobretudo se não te sentires confortável a resolver problemas técnicos numa língua estrangeira.

Para que perfil serve cada uma

Se investes valores pequenos com regularidade, corretoras de comissão zero evitam que os custos consumam uma fatia desproporcional de investimentos pequenos. Se investes montantes maiores ou negoceias com alguma frequência, a Interactive Brokers tende a compensar mais a partir de certo volume, graças a comissões proporcionalmente baixas e ao custo de câmbio mais reduzido do mercado — e é particularmente relevante se investires em ativos cotados fora da zona euro, dado o efeito composto do câmbio visto acima. Se valorizas simplicidade e apoio em português, a Trade Republic ou a XTB (com sucursal portuguesa) facilitam a gestão do dia a dia. Se queres acesso ao maior número de mercados e produtos possível, DEGIRO e Interactive Brokers costumam oferecer a cobertura geográfica mais ampla. E se tens uma quantia grande para investir de uma vez, vale a pena leres também investir tudo de uma vez ou aos poucos antes de escolheres a corretora — pode influenciar quantas operações vais mesmo fazer.

O hack para não te enganares: simula o teu próprio caso, não o caso médio

As tabelas de comparação — incluindo as deste guia — mostram o caso médio ou o exemplo mais comum, não necessariamente o teu. Antes de decidires, faz este exercício de dez minutos: escreve o valor que pretendes investir por mês (ou de uma vez), a moeda dos ativos que vais comprar (euros ou não), a frequência de operações que realisticamente vais fazer, e se vais deixar dinheiro parado à espera de entrada faseada. Aplica esses números às tabelas de comissão, câmbio e juro de cada corretora candidata, multiplicando pelo período real que planeias manter a conta (1 ano é insuficiente — usa 5 ou 10, porque custódia, inatividade e câmbio compostos só se revelam a prazos mais longos). Só depois de teres um número concreto em euros, por corretora, é que a comparação deixa de ser uma opinião e passa a ser um cálculo.

outro hack: usa uma conta demo antes de decidires no juro

Taxas de juro sobre saldo não investido (como as 2,30%/0,90% da XTB, ou os 3%/2,25% da Trade Republic) são variáveis e ajustadas com regularidade, tipicamente acompanhando a Euribor ou taxas do BCE — não são uma promessa fixa para sempre. Antes de escolheres uma corretora só por causa do juro anunciado hoje, confirma na própria aplicação (a maioria mostra isto na secção de "juro" ou "cash management") se a taxa atual ainda corresponde ao que viste anunciado, porque estes números mudam com mais frequência do que as comissões.

Checklist antes de escolheres (ou mudares de) corretora

Próximos passos

Escolher corretora não é uma decisão que precises de acertar de forma perfeita à primeira — é reversível, ainda que com algum custo e trabalho de transferência. Prioriza nesta ordem: primeiro, confirma que a corretora está regulada num país da UE ou Reino Unido, com sistema de indemnização identificável (o ponto não negociável); depois, simula o teu caso concreto de comissões, câmbio e juro pelos próximos 5 a 10 anos; só no fim compares funcionalidades secundárias (apoio em português, fracionamento, planos automáticos). Se ainda não decidiste o que vais comprar através dela, o guia de ETF do zero, em português é o ponto de partida lógico antes deste; se já sabes que vais comprar ações individuais, revê primeiro o processo completo em como analisar uma ação.

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Nota: este conteúdo é informativo e educacional, não constitui recomendação de nenhuma corretora em concreto. Comissões, taxas de juro e condições mudam com frequência — confirma sempre os valores atuais no site oficial de cada corretora antes de abrires conta.