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glossário

Os termos técnicos, um a um

Cada termo, explicado com porque é que importa — não só o que significa.

TER

ETF e fundos

Total Expense Ratio — a comissão anual de gestão de um ETF ou fundo, expressa em percentagem. Um TER de 0,20% sobre 10.000€ significa 20€/ano, descontados automaticamente do valor da unidade, todos os dias — nunca vês esse valor a sair de uma conta, mas ele sai na mesma.

Porque importa: é o custo mais visível e mais fácil de comparar entre ETF concorrentes ao mesmo índice. A diferença entre 0,07% e 0,22% parece pequena, mas composta ao longo de 20-30 anos pode representar centenas ou milhares de euros.

Ver aplicado em: ETF do zero, em português

Tracking difference

ETF e fundos

O desvio real entre o retorno de um ETF e o retorno do índice que promete seguir. Inclui o TER, mas também outros fatores — eficiência de gestão, receita de empréstimo de títulos, tratamento de dividendos.

Porque importa: um ETF pode ter TER baixo mas tracking difference pior do que outro com TER ligeiramente mais alto — é o número que realmente diz se o fundo "cumpriu a promessa", não só quanto cobrou.

Ver aplicado em: ETF do zero, em português

ISIN

ETF e fundos

O número de identificação único e internacional de um ativo financeiro (ex: IE00B4L5Y983). Ao contrário do nome comercial, que pode variar ligeiramente entre corretoras ou plataformas, o ISIN é sempre o mesmo.

Porque importa: é a forma mais fiável de teres a certeza absoluta que estás a comprar o produto certo — dois ETF com nomes parecidos podem ter ISIN completamente diferentes, e portanto serem produtos diferentes.

Ver aplicado em: ETF do zero, em português

Ticker

ETF e fundos

O código curto (2-5 letras) usado para negociar um ativo em bolsa — ex: IWDA (iShares Core MSCI World), VWCE (Vanguard FTSE All-World), CSPX ou VUAA (versões do S&P 500).

Porque importa: é o que escreves na tua corretora para encontrares o ativo — mas o mesmo ETF pode ter tickers diferentes em bolsas diferentes (Frankfurt, Londres, Amesterdão), por isso confirma sempre o ISIN junto ao ticker.

UCITS

ETF e fundos

Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities — o enquadramento regulatório europeu que impõe regras de diversificação e proteção ao investidor particular.

Porque importa: é um bom primeiro filtro de segurança — praticamente todos os ETF vendidos por corretoras europeias a investidores particulares são UCITS, e evitá-los (comprar produtos não-UCITS) normalmente significa menos proteção regulatória.

Ver aplicado em: ETF do zero, em português

Spread

ETF e investimento

A diferença entre o preço a que consegues comprar (ask) e o preço a que consegues vender (bid) um ativo, num dado momento.

Porque importa: é um custo escondido que não aparece na comissão da corretora — ETF com pouca liquidez costumam ter spreads mais largos, o que significa perder mais valor logo na compra e na venda.

Réplica física / sintética

ETF e fundos

Física: o ETF compra diretamente as ações do índice. Sintética: usa um contrato de troca (swap) com um banco para replicar o desempenho, sem deter os ativos subjacentes.

Porque importa: a réplica sintética introduz risco de contraparte (o banco do outro lado do swap falhar) — pequeno, mas real, e diferente do risco de uma réplica física.

Ver aplicado em: ETF do zero, em português

TAEG

Crédito

Taxa Anual de Encargos Efetiva Global — inclui juros, comissões e seguros obrigatórios associados a um crédito, ao contrário da TAN que só mostra o juro.

Porque importa: é o único número que permite comparar propostas de crédito a sério — duas propostas com a mesma taxa de juro nominal podem ter TAEG muito diferente por causa de seguros ou comissões.

Ver aplicado em: Crédito habitação, Cartões de crédito

TAN

Crédito

Taxa Anual Nominal — o custo direto dos juros de um crédito (Euribor + spread, ou taxa fixa), sem incluir seguros nem comissões.

Porque importa: é a taxa que os bancos mais anunciam, precisamente por parecer mais baixa do que a TAEG — nunca decidas só com base nela.

Ver aplicado em: Crédito habitação

MTIC

Crédito

Montante Total Imputado ao Consumidor — a soma em euros absolutos de tudo o que vais pagar ao banco até ao fim do contrato (capital + juros + seguros + comissões).

Porque importa: percentagens (TAEG, TAN) são abstratas; o MTIC diz-te o número final em euros, o que costuma ser mais eficaz para perceberes o peso real da decisão.

Ver aplicado em: Crédito habitação

DSTI (taxa de esforço)

Crédito

Debt Service to Income — o rácio entre as tuas prestações mensais de crédito e o teu rendimento líquido. O Banco de Portugal recomenda um limite de 45% desde agosto de 2026 (antes era 50%).

Porque importa: é o número que decide se um banco te aprova ou não um crédito — e é calculado com um choque de 1,5 pontos na taxa de juro, não com a tua prestação atual.

Ver aplicado em: Crédito habitação

LTV (Loan to Value)

Crédito

A percentagem do valor do imóvel que o banco te financia. Para habitação própria e permanente, o Banco de Portugal indica em regra um máximo de 90% — calculado sobre o menor valor entre o preço de compra e a avaliação bancária.

Porque importa: se o banco avaliar a casa por menos do que pagaste, o financiamento máximo cai também — muita gente só descobre isto depois de já ter negociado o preço com o vendedor.

Ver aplicado em: Crédito habitação

Euribor

Crédito

Euro Interbank Offered Rate — a taxa média a que os bancos da zona euro emprestam entre si, usada como referência para créditos a taxa variável.

Porque importa: se tens um crédito a taxa variável, é esta taxa (mais o spread do banco) que determina a tua prestação — e ela muda com a política monetária do BCE.

Ver aplicado em: Crédito habitação

FIFO

Fiscalidade

First-In, First-Out — método de cálculo que assume que as primeiras unidades de um ativo que compraste são as primeiras que vendes, aplicado por wallet ou exchange, no caso de criptoativos em Portugal.

Porque importa: se compraste em várias tranches ao longo do tempo, o FIFO decide qual parte da tua venda conta como "antiga" (possivelmente isenta) e qual conta como "recente" (tributada) — não podes escolher tu.

Ver aplicado em: Declarar criptomoedas no IRS

Categorias de IRS (B, E, G)

Fiscalidade

Categoria B — rendimentos empresariais/profissionais (ex: mineração de cripto como atividade). Categoria E — rendimentos de capitais (ex: staking, lending, juros). Categoria G — mais-valias (ex: vender uma ação, ETF ou criptoativo com ganho).

Porque importa: a mesma atividade (ex: cripto) pode cair em categorias diferentes consoante a natureza do rendimento — e cada categoria tem as suas próprias regras e anexos na declaração.

Ver aplicado em: Declarar criptomoedas no IRS

Imposto do Selo

Fiscalidade

Imposto que incide sobre diversas operações financeiras — compra de imóveis (0,8%), financiamento de crédito habitação (0,5-0,6%), e comissões bancárias (4% sobre o valor da comissão).

Porque importa: é um custo que aparece "escondido" em vários momentos — sempre que vês uma comissão bancária, há mais 4% de selo a somar, silenciosamente.

Ver aplicado em: Crédito habitação

Free Cash Flow (FCF)

Análise de ações

O dinheiro que sobra a uma empresa depois de pagar tudo o que precisa para operar e investir no negócio — aproximadamente, fluxo de caixa operacional menos despesas de capital (Capex).

Porque importa: é muito mais difícil de manipular contabilisticamente do que o lucro líquido, porque representa dinheiro que entrou ou saiu mesmo da conta da empresa, não uma construção contabilística.

ROIC

Análise de ações

Return on Invested Capital — quanto lucro operacional líquido de impostos (NOPAT) uma empresa gera por cada euro de capital (dívida e capital próprio) que lhe foi confiado.

Porque importa: mostra a qualidade real do crescimento de uma empresa, ao contrário do ROE, que pode ser inflacionado por dívida elevada ou recompra de ações.

P/E (PER)

Análise de ações

Price to Earnings — o preço de uma ação a dividir pelo lucro por ação. Um P/E de 15 significa que estás a pagar 15 vezes o lucro anual da empresa.

Porque importa: um P/E baixo não significa automaticamente "barato", nem um P/E alto significa "caro" — depende do crescimento, da qualidade e do risco do negócio em concreto.
Nota: este glossário é informativo e educacional. Definições de fiscalidade e regulação referem-se a setembro de 2026 e podem mudar — confirma sempre com fonte oficial ou profissional certificado antes de decisões importantes.