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Crédito habitação: taxa fixa, variável ou mista

18 min de leitura · atualizado 2026

resumo em 60 segundos

Escolher entre taxa fixa, variável ou mista é decidir quem suporta o risco de subida de juros — tu ou o banco. Compara sempre TAEG e MTIC, nunca só o spread ou a TAN. Antes de assinar, calcula a tua prestação em 4-5 cenários de taxa diferentes, não só na taxa de hoje — se um cenário plausível já destrói o teu orçamento, o crédito pode ser demasiado grande para o teu rendimento. O Banco de Portugal limita o LTV a 90% para habitação própria e permanente (80% para segunda habitação) e o DSTI a 45% desde agosto de 2026 — mas ambos os limites têm margens de exceção que os bancos usam com regularidade, por isso não assumas que estás automaticamente dentro ou fora deles. Confirma o LTV com base na avaliação do banco, não no preço de compra, e nunca esqueças os custos de escritura (impostos, registo, avaliação) que ficam de fora do financiamento.

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Comprar uma casa envolve duas decisões diferentes: quanto custa a casa, e quanto custa financiá-la. A segunda pode alterar brutalmente o custo total ao longo dos anos — e é normalmente tomada sob pressão de tempo, sem comparação séria entre propostas. Num crédito habitação não estás só a escolher uma taxa; estás a escolher quem vai suportar o risco de variação das taxas de juro ao longo de décadas, e essa escolha pode valer dezenas de milhares de euros.

Os três tipos de taxa

Na taxa variável, a taxa é composta por Euribor mais spread, e pode ser revista segundo a periodicidade contratada (3, 6 ou 12 meses). Se a Euribor sobe, a prestação tende a subir; se desce, tende a descer. Normalmente começa mais baixa do que uma taxa fixa equivalente, mas a prestação não é totalmente previsível ao longo do tempo.

Na taxa fixa, a taxa contratada mantém-se durante o período definido — se for fixa para todo o prazo, a prestação de capital e juros é previsível dentro da estrutura contratual. A vantagem é proteção contra subidas de taxa; a desvantagem é que normalmente pagas um prémio por essa previsibilidade, porque estás a transferir o risco de subida das taxas para o banco, e o banco cobra por assumir esse risco. Se as taxas descerem, continuas preso à taxa que contrataste.

A taxa mista combina as duas: começas com um período fixo (2, 5 ou 10 anos, por exemplo) e depois passas a variável — uma espécie de compromisso entre previsibilidade agora e exposição às taxas mais tarde. É uma estrutura muito comum em Portugal. Mas atenção: a taxa mista não elimina o risco de taxa, apenas o adia para depois do período fixo terminar — e pode criar uma falsa sensação de segurança se esqueceres que, ao fim de 5 anos, por exemplo, voltas a estar exposto à Euribor tal como quem escolheu variável desde o início.

A Euribor e o spread — o que realmente compõe a tua taxa

A Euribor é uma taxa de referência do mercado monetário do euro; para crédito habitação, as referências mais comuns em Portugal são 3, 6 e 12 meses. Uma Euribor mais baixa não significa automaticamente crédito mais barato — é preciso somar sempre Euribor mais spread mais custos associados. Por exemplo, com Euribor a 2,50% e spread de 0,80%, a TAN aproximada seria 3,30%. Se a Euribor subir para 4,00%, mantendo o mesmo spread, a TAN passa a aproximadamente 4,80% — é esta componente que introduz o risco de taxa que discutimos ao longo deste guia.

a Euribor real, agora — para não trabalhares só com números redondos

Em meados de setembro de 2026, a Euribor cotava aproximadamente: 3 meses 2,65%, 6 meses 2,82%, 12 meses 3,16%. Repara que as três maturidades não estão coladas — a de 12 meses, mais usada em muitos contratos portugueses, está quase 0,5 pontos percentuais acima da de 3 meses neste momento, o que reflete expectativas do mercado sobre a evolução futura das taxas. Isto significa que a periodicidade de revisão que escolheres (3, 6 ou 12 meses) não é neutra: com uma curva assim, uma revisão a 3 meses tende a refletir mais depressa uma eventual descida futura da Euribor, enquanto uma revisão a 12 meses "tranca" a taxa atual, para o bem e para o mal, durante um ano inteiro de cada vez. Confirma sempre o valor mais atual antes de decidires — a Euribor move-se diariamente, e este valor fica desatualizado com o tempo.

o erro clássico: "o banco X tem spread de 0,7%"

Pode ter mesmo — mas se exige seguro de vida, multirriscos, cartão de crédito e domiciliação de ordenado para conceder esse spread, o custo total pode acabar superior ao de um banco com spread mais alto e menos exigências. É por isto que tens de comparar sempre a TAEG e o MTIC, nunca só o spread anunciado em destaque.

A matemática da prestação — a fórmula, explicada sem mistério

Num empréstimo amortizável pelo sistema francês (o mais comum em crédito habitação, com prestação constante), a prestação mensal calcula-se por:

fórmula

P = C × [i × (1+i)ⁿ] ÷ [(1+i)ⁿ − 1]
onde P é a prestação, C é o capital em dívida, i é a taxa de juro mensal (taxa anual ÷ 12), e n é o número total de prestações (prazo em anos × 12).

Não precisas de fazer esta conta à mão — é para isso que serve o nosso simulador de crédito habitação — mas perceber a fórmula ajuda a entender por que razão taxa, prazo e capital interagem da forma como interagem: a mesma variação de taxa pesa mais quanto maior for o capital e mais longo for o prazo restante.

O stress test — calcula a tua prestação em 5 cenários, não só no de hoje

Antes de assinares qualquer contrato de taxa variável ou mista, faz esta simulação com os teus próprios números. Usando como exemplo um crédito de 250.000€ a 30 anos, eis como a prestação evolui consoante a taxa:

O stress test — calcula a tua prestação em 5 cenários, não só no de hoje
Taxa anualPrestação mensal
2%924€
3%1.054€
4%1.194€
5%1.342€
6%1.499€

Repara na diferença entre os extremos: subir de 2% para 6% quase duplica a prestação mensal, sobre o mesmo capital e prazo. Com a Euribor a 12 meses atual de 3,16% mais um spread típico de 0,8% a 1%, muita gente está hoje já a pagar uma TAN próxima dos 4%, ou seja, algures a meio desta tabela — não no extremo baixo. Se conseguires suportar confortavelmente o cenário de 5-6%, tens uma margem de segurança real. Se o cenário de 4% já aperta seriamente o teu orçamento, o crédito pode estar dimensionado para o limite máximo da tua capacidade, não para uma margem confortável — e é exactamente isto que o choque de stress do Banco de Portugal (que vais ver a seguir, no cálculo do DSTI) tenta capturar.

Quanto custa mesmo comprar casa, além do preço no anúncio

Além do preço da casa, há sempre IMT, Imposto do Selo sobre a aquisição, Imposto do Selo sobre o próprio financiamento, custos de escritura e registo, avaliação bancária, comissões, e os seguros exigidos pelo banco. O IMT é calculado segundo regras próprias, e nalgumas situações a base tributável pode ser influenciada pelo Valor Patrimonial Tributário (VPT) — a Autoridade Tributária aplica, em regra, o mais elevado entre o valor de compra e o VPT quando essa regra se aplica.

Quanto custa mesmo comprar casa, além do preço no anúncio
CustoValor aproximado
IMTProgressivo, calculado sobre o mais elevado entre preço e VPT
Imposto do Selo sobre a aquisição0,8% da base tributável, em regra
Imposto do Selo sobre o financiamentoVaria com o prazo, segundo a tabela aplicável
Escritura, registo e avaliaçãoAlgumas centenas de euros, variável
Seguros (multirriscos obrigatório, vida normalmente exigido)Varia com idade, capital e seguradora

Isenções para jovens até 35 anos — o IMT Jovem

O regime do IMT Jovem aplica-se, em determinadas condições, a quem tem idade igual ou inferior a 35 anos, não é dependente para efeitos de IRS, e está a adquirir a primeira habitação própria e permanente. A Autoridade Tributária exige ainda que a pessoa não seja titular de direito de propriedade (ou figura parcelar desse direito) sobre um prédio urbano habitacional no momento da compra, nem nos três anos anteriores — uma condição que muita gente desconhece e que pode invalidar a isenção mesmo achando que cumpre os outros requisitos.

Em 2026, no Continente, o limite para a isenção integral de IMT e Imposto do Selo na aquisição é 330.539€. Acima desse valor, dentro das condições legais, a isenção pode ser apenas parcial. Nos Açores e na Madeira os valores de referência podem diferir dos do Continente — as regiões autónomas têm historicamente acompanhado a lógica do regime nacional, mas com escalões e limites próprios, por isso não assumas automaticamente o valor do Continente se comprares fora dele: confirma o valor em vigor junto do Portal das Finanças ou da administração fiscal regional. Vale a pena repetir uma distinção importante: pagar menos imposto não significa precisar de menos dinheiro para os restantes custos da compra — o Imposto do Selo sobre o próprio financiamento, por exemplo, continua a aplicar-se independentemente da idade.

Garantia pública para jovens — o que é, e o que não é

É uma medida diferente da isenção fiscal, e frequentemente confundida com ela. A garantia pública pode permitir financiamento entre 85% e 100% do valor da transação, desde que cumpridos os requisitos legais. Para os contratos abrangidos, o valor da transação não pode exceder 450.000€, e os contratos têm de ser celebrados dentro do prazo previsto no regime atual (até 31 de dezembro de 2026, segundo as regras em vigor à data deste guia).

um detalhe fundamental

A garantia pública não é dinheiro oferecido pelo Estado — é uma garantia que pode cobrir até 15% do valor da transação, incidindo sobre o capital do crédito. O banco continua a avaliar normalmente a tua capacidade financeira; a garantia facilita o acesso a financiamento mais alto, não substitui a avaliação de risco do banco. Vale ainda a pena saber que o Banco de Portugal tem vindo a acompanhar de perto o uso desta garantia dentro do quadro macroprudencial mais apertado desde agosto de 2026 — não assumas que a garantia pública te isenta automaticamente dos limites de DSTI explicados a seguir.

exemplo — casa de 200.000€

Com financiamento de 180.000€ e entrada de 20.000€, ainda vais precisar de dinheiro extra para impostos, registos, escritura e avaliação — normalmente mais alguns milhares de euros. Se fores elegível para o IMT Jovem, a conta fiscal pode mudar substancialmente. Por isso, evita regras genéricas do tipo "preciso de 10% de entrada mais 8.000€" — calcula sempre a operação concreta, com os teus números e a tua elegibilidade real.

Taxa de esforço — o rácio DSTI, com o limite atualizado em 2026

O Banco de Portugal indica atualmente que o rácio DSTI — a relação entre o total das prestações mensais de crédito e o rendimento mensal líquido — não deve, em regra, exceder 45% (o limite desceu de 50%, em vigor desde 1 de agosto de 2026, na Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026). Isto não significa que, abaixo de 45%, o banco seja obrigado a aprovar, nem que, acima, seja impossível obter crédito — é um limite prudencial dentro do quadro de avaliação de solvabilidade, não uma garantia de aprovação. O banco olha ainda para estabilidade do rendimento, outros créditos em curso, idade, prazo, LTV, histórico, e a natureza do teu emprego.

a margem de exceção — mais apertada do que era até há pouco

Antes de agosto de 2026, os bancos podiam conceder crédito acima do limite de DSTI dentro de uma margem de exceção de até 15% do volume de crédito habitação emitido por semestre, dividida em dois escalões (10% até 60% de DSTI, mais 5% acima disso). A revisão de 2026 simplificou e apertou esta regra: passa a existir uma margem única de 10% do volume de crédito à habitação concedido em cada semestre, sem a distinção anterior em dois escalões. Na prática, isto significa que os bancos têm hoje menos espaço para aprovar créditos acima do limite de 45% do que tinham há um ano — se o teu DSTI calculado estiver acima do limite, a tua aprovação passa a depender de uma margem mais estreita e disputada por todos os clientes do banco nesse semestre, não é uma formalidade automática.

o detalhe que a maioria ignora

O banco não calcula o DSTI com a tua prestação atual — aplica um choque à taxa de juro para créditos de taxa variável ou mista (a fase variável), testando se aguentarias uma subida. Simulares a tua taxa de esforço só com a taxa contratada, sem margem para este choque, pode dar-te uma falsa sensação de folga no orçamento. Pede sempre ao banco para te mostrar o cálculo do DSTI com o choque já aplicado, não só com a taxa de hoje.

LTV — Loan to Value, a palavra que decide quanto te emprestam

O LTV compara o valor do crédito com o valor relevante do imóvel, sendo o valor do imóvel considerado o menor entre o preço de compra e a avaliação bancária para este efeito. O Banco de Portugal define limites diferentes consoante a finalidade do imóvel:

Limites de LTV do Banco de Portugal, por tipo de imóvel
FinalidadeLTV máximo
Habitação própria e permanente90%
Habitação secundária ou para arrendamento80%
Imóveis do próprio banco (ex-dação em pagamento)Até 100%, condições caso a caso

Tal como no DSTI, também aqui existe uma margem de exceção: cada banco pode conceder uma pequena fatia do seu volume trimestral de novo crédito fora destes limites — por isso, ver um caso de financiamento a mais de 90% para HPP não significa que a regra tenha desaparecido, significa que esse caso específico coube dentro da margem de exceção do banco.

porque isto surpreende tanta gente

Casa comprada por 200.000€, mas avaliada pelo banco em 185.000€: se o limite de LTV for 90%, o banco calcula 90% sobre os 185.000€ (o valor mais baixo), não sobre os 200.000€ — ou seja, 166.500€, não 180.000€. Não assumas nunca que o banco financia uma percentagem sobre o preço de compra sem confirmares primeiro a avaliação.

A FINE — o documento mais importante que a maioria nunca lê até ao fim

Antes de contratares, tens direito a receber a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), que reúne num único documento a TAN, a TAEG, comissões, seguros exigidos, montante do empréstimo e o MTIC. Não te fiques pela primeira página — compara sistematicamente cada um destes elementos entre propostas de bancos diferentes, incluindo os produtos associados exigidos para obteres o spread anunciado.

TAEG, TAN e MTIC — os três números que decidem tudo

A TAN reflete essencialmente o custo dos juros segundo a estrutura contratual. A TAEG inclui uma visão mais completa dos custos legalmente abrangidos — é o número que devias sempre comparar entre propostas. O MTIC mostra, em euros absolutos, tudo o que vais pagar até ao fim do contrato — capital, juros, seguros e comissões somados. Ao comparares propostas, olha para a TAEG, mas não pares aí: analisa também seguros, custos de conta, produtos associados, comissões, e a duração real de qualquer condição promocional.

Amortizar antecipadamente ou investir a diferença?

Imagina que tens 20.000€ disponíveis e o teu crédito está a 3,5%. Uma amortização produz uma poupança de juros equivalente, em termos simplificados, ao custo do financiamento que deixas de pagar — um benefício relativamente previsível e garantido. Investir os mesmos 20.000€ em ações pode produzir +20%, −20%, ou qualquer valor entre os dois. Por isso, nunca compares "3,5% garantidos" com "7% históricos" como se fossem taxas equivalentes — uma tem risco completamente diferente da outra, e essa diferença de risco é o que está mesmo em jogo na decisão, não só o número percentual. Se tiveres, além do crédito habitação, outras dívidas com taxa mais alta (cartão, crédito pessoal), essas costumam ter prioridade absoluta sobre amortizar a casa — consulta sair primeiro das dívidas caras para perceberes a ordem certa.

Ao amortizares, tens ainda de escolher entre reduzir o prazo (mantendo a prestação parecida, poupa mais juros no total porque sais mais cedo do crédito) ou reduzir a prestação (mantendo o prazo, alivia o orçamento mensal desde já e reduz a taxa de esforço). Por defeito, muitos bancos aplicam a amortização como redução de prestação — se quiseres reduzir o prazo em vez disso, tens normalmente de o solicitar explicitamente ao banco. Financeiramente, reduzir o prazo costuma poupar mais juros totais; reduzir a prestação dá-te mais margem de manobra mensal imediata. Não existe opção universalmente melhor — depende do teu objetivo concreto nesse momento. Usa o simulador de amortização antecipada para comparares as duas opções com os teus números reais antes de decidires.

antes de decidires

Confirma sempre o contrato e a legislação em vigor para a comissão de amortização antecipada — o Banco de Portugal indica, como limites gerais, uma comissão máxima de 0,5% do capital reembolsado em taxa variável e 2% em taxa fixa. Nota importante: entre 2022 e o final de 2025 vigorou uma isenção temporária desta comissão para créditos de taxa variável sobre habitação própria e permanente, sucessivamente prorrogada; essa isenção terminou em 31 de dezembro de 2025, pelo que, desde janeiro de 2026, a comissão de 0,5% em taxa variável volta a aplicar-se com normalidade, salvo exceção prevista no teu contrato concreto. Pode existir ainda Imposto do Selo sobre a própria comissão — não faças a conta só com a percentagem da comissão sem confirmares o resto.

O truque dos seguros associados

Um spread mais baixo pode estar associado à contratação de produtos específicos. Imagina o Banco A com spread de 0,70% mas seguro de vida a 400€/ano, contra o Banco B com spread de 0,90% mas seguro de vida a 150€/ano — não compares os spreads isoladamente, compara o custo total anual de cada proposta completa. Presta atenção especial ao seguro de vida: o prémio pode alterar-se ao longo do tempo, nomeadamente com a idade e as características da apólice — uma proposta que parece barata aos 35 anos pode não ser igualmente barata aos 50.

o hack: os seguros são transferíveis, o spread não é

Por lei, não és obrigado a contratar os seguros associados ao crédito através do próprio banco — podes apresentar uma apólice de seguro de vida e multirriscos de outra seguradora, desde que cumpra as coberturas mínimas exigidas pelo banco, e o banco tem de a aceitar sem cobrar mais por isso, nem penalizar o spread negociado por essa razão. Antes de aceitares automaticamente o seguro "recomendado" pelo banco, compara o mesmo capital seguro noutras seguradoras — a diferença de prémio ao longo de 30 anos pode ser significativa, sobretudo à medida que envelheces e o prémio de risco de vida sobe.

Não existe modalidade universalmente melhor — só mais adequada ao teu caso

O próprio Banco de Portugal sublinha que nenhuma das três modalidades (fixa, variável, mista) é universalmente melhor — depende das tuas expectativas sobre a evolução das taxas, da tua capacidade financeira, da tua tolerância ao risco, do horizonte do crédito, e da estabilidade do teu rendimento. Uma forma simples de estruturar a decisão: se valorizas previsibilidade acima de tudo, a fixa protege-te; se aceitas variações e queres poder beneficiar de eventuais descidas, a variável dá-te essa flexibilidade; se queres estabilidade inicial mas aceitas risco mais tarde, a mista distribui o problema em duas fases. Mas a pergunta mais importante de todas é ainda mais simples: quanto crédito consigo mesmo suportar se as taxas forem muito mais altas do que hoje? Se a resposta for "nenhum", talvez o problema não seja a escolha da taxa — seja pedires menos dinheiro emprestado à partida.

exemplo numérico — amortizar 20.000€ mantendo a prestação

Crédito de 200.000€ a 3,5%, com 25 anos restantes: a prestação mensal é de 1.001,25€, e os juros totais a pagar até ao fim seriam cerca de 100.374€. Se amortizares 20.000€ e optares por manter a prestação (reduzindo o prazo em vez do valor mensal), o crédito passa a terminar cerca de 3 anos e 9 meses mais cedo, e os juros totais caem para aproximadamente 75.455€ — uma poupança de quase 25.000€ em juros, só por teres escolhido manter a prestação em vez de a reduzires. A comissão de amortização, a 0,5% sobre os 20.000€ amortizados (crédito de taxa variável), seria de apenas 100€ — irrelevante face à poupança total. Se, em vez disso, tivesses optado por reduzir a prestação mantendo o prazo original, o alívio mensal seria imediato, mas a poupança total em juros seria bastante menor — é exactamente o trade-off entre "alívio agora" e "poupança total" que mencionámos atrás.

Portabilidade e transferência de crédito — quando faz sentido mudar de banco

Se conseguires uma proposta claramente melhor noutro banco depois de já teres um crédito em curso, podes transferir o crédito — o novo banco liquida o saldo em dívida ao banco antigo, e passas a pagar ao novo, nas condições renegociadas. Isto tem custos próprios (nova avaliação, novo registo, eventualmente novo Imposto do Selo sobre o novo financiamento) que precisam de ser comparados com a poupança esperada ao longo do tempo restante do crédito — uma transferência só compensa se a poupança de juros ao longo dos anos que faltam superar claramente estes custos de transição.

Por exemplo: se transferires um crédito de 180.000€ com 20 anos restantes e conseguires baixar o spread em 0,3 pontos percentuais, a poupança de juros ao longo do tempo restante pode facilmente ultrapassar 5.000€ — mas se os custos de transferência (avaliação, registo, Imposto do Selo sobre o novo financiamento) somarem 800€ a 1.200€, ainda assim compensa amplamente; se, pelo contrário, só faltarem 3 anos de crédito, a mesma redução de spread pode não gerar poupança suficiente para cobrir esses custos. O tempo restante do crédito é, por isso, tão importante para esta decisão como a diferença de taxa em si. Antes de decidires, pede sempre ao teu banco atual uma contraproposta: muitas vezes, o simples facto de teres uma alternativa concreta na mão é suficiente para o banco atual melhorar as condições sem precisares de mudar de instituição.

Checklist antes de assinares

Próximos passos

  1. Reúne a FINE de pelo menos 3 propostas de bancos diferentes, e compara linha a linha — TAEG, MTIC, seguros, comissões.
  2. Calcula a tua prestação nos 5 cenários de taxa deste guia com o simulador de crédito habitação, usando o teu capital e prazo reais.
  3. Confirma a tua elegibilidade real para IMT Jovem e garantia pública com o simulador de IMT, se te aplicar.
  4. Se já tens crédito em curso e taxas desceram ou encontraste proposta melhor, simula a portabilidade e usa-a como argumento de negociação com o teu banco atual.
  5. Se tiveres capital disponível para amortizar, compara as duas opções (reduzir prazo vs. reduzir prestação) no simulador de amortização antecipada antes de instruíres o banco.

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Nota: este conteúdo é informativo e educacional, não substitui o aconselhamento de um intermediário de crédito ou consultor financeiro para a tua situação concreta. Valores de Euribor, impostos e limites regulatórios referem-se a meados de setembro de 2026 e estão sujeitos a alteração frequente — confirma sempre os valores em vigor junto do teu banco, do Banco de Portugal ou da Autoridade Tributária antes de decidires.